quinta-feira, agosto 3

José e os Outros ( Almada e Pessoa, romance dos anos 20)

José Augusto França
José e os Outros ( Almada e Pessoa, romance dos anos 20)
Editorial presença


Este é dos tais livros que se não me fosse oferecido ( pelo Pai) teria comprado e posto de lado qualquer outro para mergulhar na História, Pelo autor, mas sobretudo pelas personagens, Zé ( Almada)e Fernando ( Pessoa). Acompanharam os dois, em demasia o meu imaginário, acompanharam em sombra o meu caminho de tal forma, que são incontornáveis na minha vida e no meu Eu, mais o Zé que o Fernando, mas ambos quase lado a lado (quis o destino que eu próprio me chamasse José Fernando,,,cousas do acaso!!). Mas na verdade arrastei-me nas páginas, porque não o senti sequer como romance, mas pareceu-me ( desculpem a sinceridade) uma vaidade do autor em se ser intimo dos dois Mestres. Nota-se a nítida preferência pelo Zé Almada, pois a história é sobretudo sobre este, e o Fernando aparece como uma espécie de fantasma que o espia e controla.
Vale pelas referências exaustivas que faz aos textos de Almada, mas para isso é sempre melhor ler o original. E foi isso que fiz, agarrei nos velhos livros do Mestre Almada, e passeei-me pela Invenção do Dia Claro, em verde alface gasto pelo sol, revi o K4, distrai-me com a Judite, que não se chamava Judite, mas que era Judite inteira.
Não gostei, que me desculpe o outro José, o Augusto, do que li.

“ José quis mostrá-la ao Fernando, e levou-o a ver as provas * na tipografia; estava certo que ele aprovaria. A nova frase era assim: “ Há sistemas para todas as coisas que nos ajudam a saber amar, só não há sistemas para saber amar” entre a humanidade e o amor, o Fernando não achava ter que escolher. “ Mas não achas?” “Não, meu querido José, não sou capaz de achar um sistema seja para o que for…” E acrescentou com um sorriso: “ Mas põe, põe...”

* ( Invenção do dia Claro que Pessoa propôs editar)

Imperdoável o livro não ter uma bibliografia, dada as inúmeras referências e transcrições das obras de Almada e algumas de Pessoa… sendo Romance, como é dito e escrito, era obrigatório existir no mínimo notas de autor, ou de editor...

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