quarta-feira, novembro 8

O último Papa

Luis Miguel Rocha
Saída de Emergência
1ª edição Outubro 2006


Confesso ( já que falamos de igreja) que comprei este livro, impelido pelo Marketing associado à sua publicação. (coisas modernas,,, e agressivas que nos entram no subconsciente e nos controlam de tal forma que nos convencemos senhores do livre arbitro ). Li em várias publicações referência ao “ Último Papa”, livro revelação, etc, etc, e não resisti. Não conhecia o autor, nem a temática me atrai, depois de ter lido e relido o consagrado Morris West ( autor que passei a ler desde jovem depois de ter ficado preso no filme “As sandálias do Pescador” que fui ver , porque via todos os filmes de Anthony Quinn, actor que me tocou como Zorba, livro que nunca li, mas que me aguarda na prateleira, para quando me sentir suficientemente distanciado do filme)
Não gosto de livros que se escrevem para se venderem. Os livros vendem-se porque o autor decide partilhar a história que lhe viveu nas palavras, não se escrevem por encomenda, nem com atributos comerciais, isso não são livros, são consumíveis…
Este enferma de vários pecados, como não sou critico literário, nem coisa parecida, refiro aqui neste meu espaço, apenas um ou outro aspecto que me incomodou, como os detalhes sobre factos históricos, escritos em jeito de enciclopédia barata, que quanto muito mereciam uma nota do autor, para estrangeiro ler ( discrição do convento de Mafra, Os três pastorinhos, e tantos outros factos assinalados no texto, que podiam ser escritos por qualquer estudante do secundário com acesso à Internet…); A referência à morte de Sá Carneiro, é introduzida na trama sem sequência ou consequência na história de uma lista que causa demasiadas mortes, sem se perceber em concreto a real importância dessa lista.
Quanto muito serve, o livro, para guião de um filme, não para um Livro, para se ler no prazer de saborear o sentir e as imagens das palavras…

Revela também a insensibilidade do autor para as pequenas coisas…alguém neste País bebe vinho do Porto para matar a sede ????

(…)
"" Vai beber o seu Porto?" pergunta Rafael no meio do nada. Há muito que não se ouvia a sua voz. Sarah desvia o olhar para ele. Aquilo não vem nada a propósito, mas a sede não segue momentos oportunos, instala-se quando bem entende e pede atenção imediata. "


(…)

“O silêncio volta a tomar conta daquele salão, algures debaixo do Convento de Mafra, devorando as palavras e transformando-as em teorias que Sarah canaliza à sua maneira e Rafael à dele. Ainda que a maior parte das revelações de Raul sejam do seu conhecimento.
"Já no segundo conclave de 1978, o ano dos três Papas, não correram riscos e elegeram alguém que pudessem controlar" recomeça Raul. "Escusado será dizer que acertaram na mouche. Não só era um Papa totalmente manipulado pela cúria, como, a posteriori, conseguiu uma relação fantástica com os fiéis. "
"Não fazia essa ideia de João PauloII.
"Ninguém faz. Mas ninguém em boa fé o pode censurar. Primeiro porque recebeu um aviso muito sério em 1981, apesar do plano original ter contemplado um afastamento permanente e não um conselho. E depois porque o Vaticano, indirectamente, colocou cerca de um milhar de milhões de dólares no bolso do Solidariedade."
"Solidariedade?"
"Um sindicato polaco, criado em Gdansk, que acabou por conseguir derrubar o regime comunista instaurado no pais. Com fundos do Vaticano e dos americanos. "
"Sempre o comunismo como alvo" reclama Sarah.
"Sim. Não são apenas os americanos que vivem obcecados com os comunistas. O Vaticano também. "
"Mas não respondeu à minha pergunta. Porque é que quem matou o Papa não guardou os papéis? Era o que eu faria. "
"Repara" continua o pai num tom esclarecedor. "O Papa não morreu pelos papéis que tinha na mão. Apesar disso, um dos mandantes teve o cuidado de retirá-los posteriormente dos aposentos do Papa. Entregou-os ao executante que rapidamente os levou para fora do Vaticano. A ordem era para os destruir, mas ele nunca o fez. "
"Porquê?"
"Boa pergunta. Penso que para ganhar vantagem sobre os seus adversários. Ou mesmo para salvaguardar a sua vida se, no futuro, os mandantes quisessem descartá-lo. "
"Okay" diz Sarah, abanando a cabeça em sinal de entendimento. "Então está na hora de irmos ao porquê. Porque é que mataram o Papa?" "Vai beber o seu Porto?" pergunta Rafael no meio do nada. Há muito que não se ouvia a sua voz. Sarah desvia o olhar para ele. Aquilo não vem nada a propósito, mas a sede não segue momentos oportunos, instala-se quando bem entende e pede atenção imediata. "

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