terça-feira, julho 10

As mulheres de meu Pai

Autor: Agualusa, José Eduardo
Edição: Dom Quixote


Agualusa é um contador de histórias. Os seus romances são essencialmente histórias alinhavadas por um ténue fio de pesca, como um colar de missangas, colorido de costumes e de sentires. As mulheres de meu Pai, é uma viagem, por África como quem procura a identidade, não de um Pai, ( que afinal não é), ou uma Pátria ( que afinal não é). É o Romance menos poético de Agualusa, onde se nota uma delicada tentativa de mudança de estilo.
O curioso em Agualusa, é que os seus romances parecem um conjunto de contos e os seus contos quase um romance. Lêem-se todos eles pausadamente, como quem pretende captar os cheiros, as cores e a emoção de uma lusofonia , como se fossem as raízes do Mundo, onde até um carro tem alma lusófona ( malambelambe).

Laurentina, Mariano, Pouca-Sorte e o seu Malambelambe são personagens que nos atravessam o sangue de uma diáspora que tem como fio condutor a musica, e o sentir...

5 comentários:

seilá disse...

é o respirar das terras africanas (das almas) do capim queimando, dos rugidos das feras por entre (através) do imento das cidades (dos muceques) é o calor que não acaba com cacimbo é o sangue que corre de outro jeito
é...
e eu gosto tanto

Anónimo disse...

lê-lo agora, foi um modo de lá voltares e estares mais proximo de uma extenção de ti, ou só coincidencia??

jeremias disse...

Seilá :julgo que a palavra gostar não se adapta ao sentir( teu , meu e de muitos , em relação a África), porque há sentires que são tão vitais como o respirar e que se desenham em forma de destino.(lá ando eu outra vez pegado ao fado...)
ps: ainda não respondi ao desafio que lançaste, querida seilá, talvez por ( e sendo sincero) não gostar de cadeias blogueiras ou outras), ou porque o que tenho lido, tenho partilhado aqui e noutros espaços, ou talvez ainda por razão nenhuma, para além de uma mandriice doentia que se me pegou á pele...

jeremias disse...

ao anónimo que sei que não é:ler Agualusa, Pepetela, Miacouto, Ruy Duarte de Carvalho ou Paulina Chiziane ( para só nomear as minhas ultimas leituras) é uma necessidade que tenho. não é coincidência, é muito provavelmente um caminho, um existir, com o qual me sinto impelido a fundir no meu olhar...

seilá disse...

:) :) tenho saudades do Almaro, mas este Jeremias é tal e qual o meu amigo...:)