quarta-feira, agosto 8

António Andrade Albuquerque
( Dick HasKins)
Edições ASA

Em dias tradicionalmente considerados de férias, o sentido da leitura muda, Muda o relacionamento com a escrita. Se o dia é de lazer, (des)ambicionado, também a leitura se transmuta num passar de horas, em deleite leve e ameno.
O Papa que nunca existiu, de Albuquerque, é um exemplo de história que nos transporta para esse "deixar ir" o tempo "ao som" de história escrita. António Andrade Albuquerque vai buscar o Quinto Império Pessoano e ” Agustinhiano” ( Agustinho da Silva) para situar em Portugal a nova era do espírito (santo), através de um menino precoce ( António) que calça as sandálias do Pescador por breves momentos, com a missão de abrir a porta a uma nova era espiritual, emanada por gentes lusas.
Não é um policial ao estilo de Dick Haskins, mas tem enredo de triller, onde a máfia “Vaticana” actua ( pelos vistos e por ironia), com a mesma incumbência de Judas, de, através da morte do Messias, cumprir o desígnio de um Deus .
Do ponto de vista literário, o autor sublinha com algum exagero a precocidade da personagem que lhe retira credibilidade.
Ressaltam as constantes repetições, de forma a não ficar duvida ao leitor ( ou ao escritor?) que António é um menino prodígio, que pensa como adulto, que fala como adulto, que age como um adulto, como se os dialogos e os pensamentos não coubessem por inteiro na personagem.
Encontra-se num dos discursos de D. António um exagero dogmático ao questionar se "Deus criou o Mundo", colocando Portugal , no centro geoestratégico para a difusão da sua mensagem, resvalando para uma hipotética teoria criacionista que começa a estar na moda e que não é coerente com a religiosidade apresentada pelo Papa que nunca existiu .

Sem comentários: