sexta-feira, agosto 31

a chave

Junichirô Tanizaki
teorema

A chave, é um romance perturbante. Escrito com uma delicadeza extrema, adivinha-se uma perversidade escondida na sombra cínica de uma pudicícia incompreensível na nossa cultura ocidental. Os quatro personagens ( O marido, única personagem sem nome, Ikuko – mulher, Toshico – filha e Kimura-amante de Ikuko e namorado de Toshico) envolvem-se num jogo erótico , como se a vida fosse um jogo de sombras chinesas. São dois diários que se cruzam e onde ele ( marido) e ela ( mulher) incitam o libido de cada um sem assumirem a sua perversidade doentia, julgando que cada um o lê ás escondidas. A delicadeza e a dedicação que Ikuko finge possuir, possuindo o marido até á morte, ( como confidencia nas páginas finais do seu diário) transformam toda a beleza tradicional japonesa num relato de difícil digestão.
Tanizaqui escreve no entanto com um mestria de um notável contador de histórias, já que deixa que a imaginação do leitor transforme ou não o seu conto, numa leitura obscena e perversa. Tudo é implícito, e é essa mestria de insinuar uma história que torna fascinante a leitura de Junichirô Tanizaki.

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