quinta-feira, agosto 23

Um lugar sem nome

Amy Tan
Edição Casa das Letras ( editorial Noticias)


Escrito ao estilo de Isabel Allende , sobretudo na trilogia iniciada com o romance " a cidade dos Deuses Selvagens" ( que curiosamente elogia e promove o romance na capa), Amy Tan, transporta-nos para a selva de Myanmar ( ex-Birmania), onde um pequeno povo mártir, sonha com a invisibilidade, para poder sobreviver ao despotismo selvagem do poder que domina as terras da Burma. Sem esconder a feminilidade , que na verdade, transparece ( transborda?) nas pequenas" jóias escritas" sobre o olhar de uma mulher atenta e sensivel, o romance aborda de forma interrogativa a paranóia colectiva dos Reality shows, ao ponto de inquinar um pequeno povo que passa a ambicionar ser estrela de televisão e de ter os seus momentos de glória, abdicando da sua identidade e do seu crer ( a invisibilidade como forma de sobrevivência...Paradoxo de uma época poluida de visibilidades?).
A trama da estrada da Burma, é narrado pela alma ( nat) de uma guia que morre antes da viagem, mas que segue o grupo de amigos, na longa caminhada por um país de névoas e de sombras. Sem a subtileza da literatura asiática ( chinesa e japonesa), este romance, fica a pairar no imaginário, mesmo depois de colocado na estante. A luta do século XXI ( século XXI?? a luta eterna do homem!!! )pelos direitos humanos, a hipocrisia que envolve os governos, as nações e a própria humanidade, fica a fervilhar na angústia de uma realidade omnipresente que ofusca os pilares essenciais dos povos: a cultura e o sentir. Os constantes atropelos à dignidade humana, praticados pela junta militar e a caricata prisão domiciliária da Nobel da Paz, Aung Suu Kyi, encontram-se em constante cenário ( nas sombras?) nesta história rocambolesca á terra dos nats ( espíritos, almas?) zangados!

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