sexta-feira, setembro 7

O Hussardo

Arturo Pérez-Reverte
Edições Asa

Nos últimos tempos tenho feito um incursão na literatura espanhola e latino-americana em contra-ponto com a lusófona e confesso que tenho gostado das paragens. Arturo Pérez-Reverte foi uma surpresa. Aventurei-me com alguma desconfiança na leitura de Hussardo. Tinha várias barreiras a ultrapassar. Não gosto de guerras, as invasões francesas nunca foram temas preferidos, ( não aprecio instintos imperialistas) , em resumo não me deleito com a barbárie. Página a página fui ficando confuso, afinal era um autor espanhol que escrevia do outro lado da barricada. Foi essa confusão que me agarrou à narrativa e à capacidade de Peréz-Reverte colocar uma série de duvidas através do jovem Hussardo Frederic. É com uma enorme subtileza que o autor vai caracterizando a heroicidade de um povo que resiste à invasão, que no sangue e na coragem solidifica uma nação. A incredulidade do jovem Frederic , mercenário convicto, quando se vê reduzido à mais pura das essências da condição Humana, quando despido da arrogância de se sentir peão do mais temível exercito europeu, e que se entrega serenamente à morte, como que renunciando a tudo em que acreditou, é um monumental registo literário que nos faz reflectir sobre os enganos da verdade em que cada um assenta a sua fé!

1 comentário:

Cintra disse...

Quem faz uma incursão na literatura espanhola tem obrigatoriamente que passar por carlos Ruiz Zafon. Recomendo "A Sombra do Vento"