domingo, dezembro 16

Aracne

António Franco Alexandre
coleção- " poesia inedita portuguesa "
Assirio e Alvim

Até ao presente nunca me atrevi a comentar, neste ou em qualquer outro espaço, livro de poemas. Razões várias; mas a principal é a de entender que poema só deve ser explicado pelo poeta, o próprio, mesmo que sentido por muitos. Romance é diferente porque o autor se dirige ao leitor. O poeta não. O poema passa pela intimidade do poeta, e essa só ele a sabe, mesmo que a partilhe. Estou convicto que um poeta oferece a intimidade para se libertar dela, enquanto que um romancista tem o amimo de contar história.
Decidi-me assim , a deixar aqui, os livros de poemas que me vão acompanhando ( sem comentários ou notas sobre o escrito.
O poeta que aqui referencio, foi-me indicado em conversa amiga, entre o dia e a noite num cruzamento de sentires e de ideias, sobre os acasos e os momentos da vida.
Quase corei por nunca ter ouvido nem nome nem obra de António Franco Alexandre ( há desencontros inexplicáveis, sobretudo quando se anda uma vida com livros no imaginário). Nessa tarde trouxe comigo ARACNE. Não o vou comentar, apenas deixar um excerto do que me encantou, neste matemático que se metamorfoseou em homem, em poeta, em alma, sendo “no quase” ( no quase de Mário de Sá Carneiro) aranha…

(…)
A teia sem enredo é a minha ideia fixa,
puro cristal, como os da neve, abstracto,
tão claro como o mero abecedário
onde as palavras falam, sem barulho;
a recta, a espiral, e o nada
que só à filigrana se consente,
são todo o meu orgulho, e no final
ter desenhado esse lugar exacto
onde em segredo possa ser humano.

2 comentários:

Anónimo disse...

ONDE ANDOU ELE ONDE????
nani

Menina_marota disse...

Um poeta a descobrir, apesar de que gostaria de ler aqui algo teu, as tuas próprias palavras e sentimentos...

Vim deixar-te um abraço e desejar-te um Natal muito feliz.



(confesso que tenho alguma saudade dos teus poemas...)
;))