segunda-feira, janeiro 21

deste lado onde

José Agostinho Bptista
Assirio & Alvim


Hoje vi os barcos

hoje vi os barcos.
eram brancos brancos abandonados
com o teu nome por dentro.

para onde vão estes barcos brancos brancos?

perguntei aos jovens marinheiros.
mas na sua divagação só existiam
fabulosas mulheres
portos portos ...........vento vento.

não vi lisboa.
disseram-se é um rio –

vai e queima o seu fado
vai e devasta as suas feiras
vai e rasga as suas tardes.

hoje sentei-me no tejo.
era um livro desordenado e sombrio com sangue
sangue no meio –

é o rosto da tua pátria
disseram os jovens marinheiros.
e era um rosto vermelho vermelho ..............doente
com vastas guitarras ao alto.

há sítios assim:
barcos brancos brancos abandonados comas tuas
mãos por dentro
cidades intermináveis com fabulosas mulheres
apodrecendo
portos portos.............vento vento.

hoje vi os lugares.
eram barcos barcos eram o tejo tejo
eram a minha pátria morrendo.

3 comentários:

musalia disse...

esse 'pequeno' livro não foi o primeiro na minha estante, curiosamente. admiro profundamente a obra de Agostinho Baptista.
belo poema, de quem tem no olhar a ilha...
:)

jeremias disse...

querida musalia: infelizmente para mim, só agora descobri agostinho baptista. tive a sorte de encontrar quase todas as suas publicações, o que me permite estar agora a degustá-las com enorme prazer...

mcorreia disse...

CONTINUO AENCANTAR-ME CONTIGO
TENHIO UMA SURPRESA PARA TI