segunda-feira, março 10

Atlas das nuvens

David Mitchell
Publicações D. Quixote
Andei durante mais de dois meses a namorar o “atlas das nuvens” , passava por ele, olhava-o e imaginava-lhe as histórias que guardava. Assim se passaram os dias. Ao fim de poucos, tinha já um caminho traçado para o livro, “Será o próximo!”
Não foi! Outras leituras ocuparam-me a prioridade e mesmo já depois de adquirido e colocado na prateleira dos livros a ler, aguardámos até agora, pacientes, ele e eu. A história que tinha para ele, desarrumou-se e desfez-se nas primeiras páginas … lentamente , surpresa a trás de surpresa fui bebendo as quatro histórias que se deslaçam pelos séculos da humanidade, passada e futura, num vertiginosa viagem pelo tempo. Escrito com uma mestria invulgar, senti que estava a "ver "um livro de banda desenhada, criada por dois dos mais profícuos autores franco-belgas, François Bourgeon (Passagers du vent ou Le cycle de Cyann) e Moebius (sobretudo na sua saga do Incal).
O enredo, ( os enredos, em que os acasos costuram as várias tramas que se vivem e tempos diferentes ) traça um retrato da humanidade e da sua evolução, obrigando o leitor a rever vários conceitos sobre si próprio e do seu papel nesta enorme torre de Babel e sobretudo obriga-o a questionar-se sobre o efectivo significado da liberdade e do livre arbítrio, quiçá eternas quimeras da humanidade…

1 comentário:

firmina12 disse...

o título abre todas as portas para dentro