domingo, junho 29

Venenos de Deus remédios do Diabo

Mia Couto

Entrar na escrita de Mia Couto é mergulhar no mais profundo de nós, no mais profundo dos nossos medos, das nossas incógnitas. Nos romances de Mia , a morte tem vida própria e coabita na nossa pele como se fosse uma presença familiar. As raízes tomam vida e omnipresença com uma densidade poética que nos arrepia. Somos impelidos a retirar do romance dizeres e falares, como quem colhe uma flor para colocar numa jarra e a ter sempre de fronte do olhar. Por minha vontade transcrevia quase o romance inteiro…cada frase é um hino à palavra e à poesia .

abrindo o livro ao acaso....

“- Leve-as, fique com elas, meu caro Doutor. As fotos fazem dos parentes peças de mobiliário.
- Ora, Dona Munda…
_ Além disso, essas fotos não me pertencem.
- Não entendi: essas fotos não são suas?
- Eu é que já não sou dessas fotos. Tudo isso aí é de um tempo que já morreu, a gente fica menos vivo só de entrar nessas lembranças."

2 comentários:

Anónimo disse...

bem me parecia que não te estava a dar novidade nenhuma!!! já pareces o outro(o pai)!!
o livro é mesmo um doce!!! fez-me lembrar um pouco o velho que lia romances de amor do luis sepulveda!! mas melhor ainda!!!
nani

almaro j. disse...

nani: o de sepulveda é uma história contada com arte, esta é contada com magia. uma magia que nos transporta e nos transforma...