terça-feira, julho 22

Estranha Forma de Vida

Caros Ademar
Os ventos das férias leva-me normalmente para dois tipos de leituras, a leitura do divertimento, ( normalmente policiais) ou a "pura literatura" ( sei lá eu definir o que isso é...) que exige mais tempo e dedicação no prazer de ler. O livro de Carlos Ademar enquadra-se no primeiro tipo.
A trama é do nosso quotidiano, daquele que nos invade a casa entre as notícias de futebol, e que afloram a corrupção, a violência o trafego de sexo e a marginalidade que infesta de cinzentos os nossos tempos...
Curioso o facto da publicação deste romance ter acontecido muito antes do surto de violência entre os seguranças de discotecas que foram manchete jornalística há bem pouco tempo.
Arrojada a denuncia, audaz a história que descreve o dia a dia dessa marginalidade camuflada na “alta sociedade” ( sei lá o que isso possa ser, mas entenda-se como sendo o estrato social que vive obcecado pela luxúria), impune muitas das vezes a manifestações de riqueza perfeitamente obscenas numa sociedade que se pretende justa e equilibrada. Os esquemas das drogas, das armas, do tráfego de influência, da pressão sobre a justiça, está retratado nesta história, que peca por não ir ainda mais longe na denuncia.
Não se percebe bem a necessidade na trama do livro, do último capitulo. Os acontecimentos são suficientemente narrados para ser necessário repetir passo a passo os acontecimentos. Não é um romance policial, pois aqui a policia e os investigadores não interagem de forma persistente, a história conta-se praticamente sem eles.
Soube a pouco, mas mantem o interesse de aprofundar o conhecimento do autor, pelo que se seguirão certamente outras leituras deste nosso investigador judiciário.

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