segunda-feira, julho 28

Millenium - os homens que odeiam as mulheres

Stieg Larsson
Oceanos
Os homens que odeiam as mulheres, é mais que um policial, na verdade nem policial é uma vez que todas as personagens intervenientes nada querem com a polícia. Na essência é um retrato da nossa era, em que o poder, orienta os passos do indivíduo e da humanidade ( nossa era?...). Realça de uma forma crua a decadência moral em que os meandros do poder circulam, criando teias de interesses com o anuência dos governantes.
Impressionou-me que esta história tivesse origem na Suécia. Julgava que o tipo de perversão relatada por Stieg Larsson, seria de todo improvável acontecer numa sociedade que para nós latinos é vista como civilizada e padrão de organização social a seguir.
As denuncias de Larsson deixam-nos, a nós cidadãos comuns, indignados pela forma como somos, afinal, peões do poder que está quase sempre distante do poder fictício de quem nos governa ( o verdadeiro poder, esconde-se e actua na sombra e é uma teia em que o aracnídeo dificilmente tem rosto).
Ao terminar este inquietante retrato da nossa sociedade, apeteceu-me pura e simplesmente agradecer ao autor, (com um bater de palmas, de pé e emocionado) que infelizmente , (por acasos do destino, ou por enredos que se advinham face ao seu próprio percurso de jornalista activista), não pode estar presente para assistir ao sucesso que a sua breve obra literária teve. Mais que um policial , é simplesmente um ACUSO, escrito com alma e com coragem!

O homem lento

J.M Coetzee
Publicações D. Quixote

O homem lento, é infelizmente um homem dos tempos modernos, que vive no paradigma do século XXI, onde a intercomunicação entre cada um é uma presença em tempo real, independentemente do espaço, mas onde a solidão nos atropela e quase pára o tempo, porque viver a solidão emperra o desenrolar da vida…
Este homem de meia idade, é literalmente atropelado, ficando dependente de terceiros. A solidão provoca dois efeitos antagónicos neste homem, a vontade de se dar e de amar, como se o amor fosse uma bóia que o mantém, na tona da vida, e a revolta de se sentir incapaz, que o anti - socializa com o mundo. Coetzee aborda o complexo tema da eutanásia e do suicídio, com uma subtileza que nos obriga a reflectir sobre o nosso próprio livre arbítrio.
Coetzee, cria uma interligação entre o escritor ( através de Elizabeth Costello, também ela personagem mas que se subentende ser o próprio Coetzee) e a personagem transportando o leitor para a linha mágica que delimita a fronteira entre o real e o imaginário que nos prende até á ultima página.

terça-feira, julho 22

Estranha Forma de Vida

Caros Ademar
Os ventos das férias leva-me normalmente para dois tipos de leituras, a leitura do divertimento, ( normalmente policiais) ou a "pura literatura" ( sei lá eu definir o que isso é...) que exige mais tempo e dedicação no prazer de ler. O livro de Carlos Ademar enquadra-se no primeiro tipo.
A trama é do nosso quotidiano, daquele que nos invade a casa entre as notícias de futebol, e que afloram a corrupção, a violência o trafego de sexo e a marginalidade que infesta de cinzentos os nossos tempos...
Curioso o facto da publicação deste romance ter acontecido muito antes do surto de violência entre os seguranças de discotecas que foram manchete jornalística há bem pouco tempo.
Arrojada a denuncia, audaz a história que descreve o dia a dia dessa marginalidade camuflada na “alta sociedade” ( sei lá o que isso possa ser, mas entenda-se como sendo o estrato social que vive obcecado pela luxúria), impune muitas das vezes a manifestações de riqueza perfeitamente obscenas numa sociedade que se pretende justa e equilibrada. Os esquemas das drogas, das armas, do tráfego de influência, da pressão sobre a justiça, está retratado nesta história, que peca por não ir ainda mais longe na denuncia.
Não se percebe bem a necessidade na trama do livro, do último capitulo. Os acontecimentos são suficientemente narrados para ser necessário repetir passo a passo os acontecimentos. Não é um romance policial, pois aqui a policia e os investigadores não interagem de forma persistente, a história conta-se praticamente sem eles.
Soube a pouco, mas mantem o interesse de aprofundar o conhecimento do autor, pelo que se seguirão certamente outras leituras deste nosso investigador judiciário.

quarta-feira, julho 2

instintos indestintos

Esta minha ausência de tempo-memória empurra-me para um abismo incolor. Coloco etiquetas a cada cousa única que me abraça o sentir e dou-lhe um nome qualquer.
O Importante não é o nome, mas o impulso de o gravar.
É no impulso que se concentra a libertação do sentir, transformando o instinto de Ser, na essência de Existir-no-Ver

terça-feira, julho 1