23 de novembro de 2004

naufrago

Sinto em mim um navegar sem sentido.

É um retrato em que me repito no dizer.

Sei que vou sem velas nem direcção. Só que hoje vou sem vontade nem ventos.

Estranho de mim.

Saí do retrato e da cor.

Uma espécie de sombra sépia que não devia ali estar, mas que se desfoca num riso louco, demente.

Sou uma quase ausência, deambulando no existir.

Gostava de ter outro em mim, menos triste, todo colorido de ondas-espuma-ao-por-do sol. Mas sou navegante sem barco, sem onda, nem vela.

Naufrago de mim, em galope torpe, em golpe de mar, sem fim…

7 comentários:

  1. Quando menos esperares, encontras um porto de abrigo, a salvo de tempestades, mas sem amarras.. beijo enorme

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  2. Não sei comentar esse naufrágio desenhado em tons de cinza. Ofereço-te apenas um pequeno poema em tons de sol... Um beijo

    "abri a manhã devagarinho
    espantei os passageiros da noite
    enchi-me de cores
    que fui buscar a um poema
    feito de ouro e vermelho

    visto-me de beijos vagabundos
    e saio à rua celebrando mais um dia"
    atuaLolita

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  3. Essa solidão semrpe me atrai já que suas letras a fazem completamente maravilhosa
    Demorei tempos auqi e tatualizei-me em todas as suas letras
    com muito carinho, continuo a adorar o que escreves
    beijo e saudade
    maria

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  4. ...mas a cor voltará para vencer a dor; e a sombra, essa, diluir-se-á em Tempo que passa!
    Náufrago? Todos o somos, por vezes, na vida! E a Vida...dádiva recebida, será o que quiseres que seja,, onde e quando a cor regressar, como flor que se abre qaundo o sol lhe brilha e lhe dá calor!
    ...do tamanho da galáxia...BShell

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  5. ...mas a cor voltará para vencer a dor; e a sombra, essa, diluir-se-á em Tempo que passa!
    Náufrago? Todos o somos, por vezes, na vida! E a Vida...dádiva recebida, será o que quiseres que seja,, onde e quando a cor regressar, como flor que se abre qaundo o sol lhe brilha e lhe dá calor!
    ...do tamanho da galáxia...BShell

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  6. Voltei só para dizer algo que me tinha esquecido. A minha querida amiga L. lembrou-me hoje ao almoço. Nenhum homem é uma Ilha. E tudo tem sentido. mesmo que não o percebamos com estes sentidos que usamos agora. Um dia perceberemos.

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  7. passei por um veleiro, senti a vontade de naufragar e saltei, mergulhei, nesse mar, estendendo a minha mão...

    Beijinho, Almaro.

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