15 de dezembro de 2004



Esperas, sem angustia.

Perdeste tudo, até a dor.

As horas, desfazem-se no tempo que te foge, sem gritos. Sem os teus gritos, que és menino sem voz.

Longe da humanidade, sem memória, sem passos nem caminhos, esperas, o nada.

Olhas, o desespero de teres perdido o sentir que mendigas, sem existires.

Já não és nada, nem numero, és buraco negro, indiferente, sem cor nem passos.

Roubaram-te o caminho, espezinharam-te a alma, mas continuas aí vazio sem nada, à espera. Nem a morte te quer, porque a morte só deseja a vida.

Hoje o meu dia, é teu, sou o teu grito, o teu vazio o teu nada...

Não tenho presépio, nem palha.

Espero.

Olho.

Estou ao teu lado, sem grito, vazio, pintado de vergonha e de cara tapada...

7 comentários:

  1. fico contigo, Almaro corando a mesma vergonha...

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  2. Agora deixaste-me aqui a olhar, sem palavras...

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  3. Fiquei de horror colado à pele. O horror que costuma ficar fechado a mil chaves em companhia da dôr impotente. Hoje não te deixo beijo. Não há lugar para futilidades.

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  4. ...como o natal é angustiante, a época...vazia.

    imagem da nossa consciência...


    beijo, Almaro.

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  5. Talvez seja melhor gritar bem alto a raiva. Pode ser que os senhores do mundo nos oiçam. Como não posso beijar todas as crianças do mundo que sofrem, deixo-te um beijo a ti,por te teres lembrado.

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  6. Quando pensamos que estamos mal, devemos lembrar que existem pessoas que não têm o que consideramos banal... de tão simples que é, até custa acreditar que ainda existe ;) Bjs

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