1 de janeiro de 2006

o vitral

desenhei um vitral,
na água...

nem azul, nem verde,

um vitral,

com deuses
e
meninos,
a brincar
com o sol
que se gotinhava,
no rio
em cores de brilhar…

desenhei um vitral,
nas lágrimas
sem sal
no frio.

tinha, ( o desenho)
um homem
pequenino
( não fora ele,
menino…)

a rezar,
sozinho…

( os deuses,
esses,
estavam no vitral
a ouvir,
o menino
),

e

o rio,
ia,
corria,
sem saber do vitral
que arrastava
desenhado na pele
com as cores do natal.

não!
os deuses não se enganaram,
nem se distraíram,

nem o rio,

eu,
é que desenhei
o que sentia,
encantado,
com o que via…

10 comentários:

  1. Encantada estou eu com o que acabei de ver!

    Encerra-se um, inicia-se outro espaço, outro ciclo de vida...

    Boas entradas!

    Um beijo.

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  2. obrigado, maria-mulher, vou certamente passear-me neste nuveares, por caminhos, acompanhado com os olhares que me pintam o sentir. bem vinda a este pedaço de sonho que navega sem estrela e quase voa-de-vento

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  3. É mesmo assim com esta força e vontade que brotou este "pedaço de sonho que navega sem estrela e quase voa-de-vento". Linda esta tua página e espero navegar e voar muito por aqui... Grande surpresa!

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  4. maria do céu: não é rotura, provavelmente nem espaço outro, é um continuar no meu destempo. nos caminhos há momentos em que sentimos que o que acumulamos de saber e sentir na viagem nos mudou, nos transformou, gota a gota, como o gotinhar do sol no rio. esse foi o momento deste meu novo navegar

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  5. Almaro, não me referia a rotura nem algo que se assemelhe, ou do género.
    O importante é este novo navegar...

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  6. Maria do Céu, sim, eu sei. é no entanto um virar de página. eu é que me questionei se seria ou não rotura, no instante em que te respondia. por vezes gosto de roturas, esta é uma quase rotura, desfocada, enublada…em nuveares...

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  7. ...e, o menino
    que continua a ser...
    menino...
    embarca numa nuvem
    seguindo um
    a linha do horizonte,
    enquanto outros
    meninos,
    lançam o papagaio aos céus
    no sonho de continuarem
    sempre...
    meninos.

    FELIZ 2006
    (gosto desta música, convida à calma de passeios à beira-mar)

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  8. Menina-maratota, há coisas na vida que não se explicam, acabei de escrever um pequeno texto, num intervalo de uma leitura, com as letras arrumadas desta forma:

    "sopro o pensamento,
    em
    nuvens-de-olhar
    qual,
    papagaio-de-papel,
    abraçado-no-sonhar,
    voam,
    suaves…
    cada-qual,
    pétalas-de-papoila
    a planar…
    um,
    é borboleta,
    outro,
    qualquer-letra
    mas
    aquele ali,
    que se esconde no alto,
    quase-nuvem,
    quase-onda
    sou eu,
    inteiro
    a-navegar…"

    e chego aqui, deparo com as tuas palavras a coexistirem-me no eu...

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  9. Almaro

    Que este nuvear, seja sempre um nuvear cheio de palavras soltas, mesmo que por vezes envoltas em nuvens façam sempre um sol a querer saltar do teu nuvear....

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  10. Pi: cada pétala solta desenha uma flor e todas as nuvens são o cobertor do céu, entre os dois está um mundo inteiro por desenhar, é nesse inacabado que me caminho

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