2 de janeiro de 2006

vestir o dia

deixei cair uma folha ,
vermelho-sangue,
de
outono…
pousou-morta ( a folha? a dor? ),
em silêncio,
sem lágrima…
só,
ali,
no chão,
perto-de-mim…
vesti-me da sua cor,
e
caí…

12 comentários:

  1. e
    caí...
    Mas as mãos de uma criança,
    feita de inocência e cor,
    pegaram a pobre folha desse chão húmido e frio...
    e a dor que ela sentia
    se sumiu na imensidão
    do horizonte em fogo prenhe de esp'rança...
    Não mais chão,
    porque a criança em questão
    pousou a folha nas páginas de um livro
    cujas palavras escritas eram palavras de amor!

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  2. blueshel: mas cai, até que o vento, suave, aqui, cutilante ali, a eleve, para diante. é assim o ciclo, todos os ciclos, quaquer ciclo, mesmo que caiba nas palavras, mesmo que cai no chão

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  3. ...e depois vemos que tudo mais não é que aquele ciclo de naúsea...e aí..aí nunca mais nos enlevamos...

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  4. o que se altera no ciclo é a nossa capacidade de defesa, já não caímos tão desamparados, protegemo-nos. mas há sempre um dia de vendavel, imprevisível...

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  5. e pronto...já está rsss vai lá ver sff Não sou, afinal a única com essa esperteza (muito científica!!!) de tentativa e erro. Beijoca.

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  6. Caro Almaro

    O poema é uma pérola, como já é teu apanágio. A simplicidade da tua linguagem atinge a beleza de intemporalidade.

    Saúdo o teu novo espaço.
    Menos soturno visualmente mas igualmente belo (o negro atrai-me).

    Tencionas abandonar definivamente o antigo espaço? Posso substituí-lo nos links?

    Abraço e os votos de um 2006 recheado de boas recordações futuras.

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  7. Despir o dia

    O frio que sinto
    não é frio
    é só um sintoma
    que notei ao
    olhar o dia
    que se despe e
    deixa cair
    batégas de água
    nas pedras da rua...

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  8. Da: a náusea acontece quando , nos descuidamos e deixamos os olhos virados sempre para o mesmo sitio, se os movermos, percebemos da infinitude do circulo...

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  9. musalia: os vendavais tem a vantagem de nos mostrar novos caminhos, novos pontos, novos olhares, mesmo que por vezes se toldem de lágrimas ...

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  10. caro Duarte
    Obrigado pelas tuas palavras, sabes, desde que me sei que procuro a simplicidade, seja de gestos, da cor ou das palavras, nela ( acredito eu) se esconde o universo. Quanto ao negro de que gosto também, tem a magia de guardar em si todas as cores, pena que as esconda, mas ao contrário do branco, que as devolve ( liberta?) elas estão lá, todas em forma de UM.
    Sim, Duarte, o silêncios terminou.

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  11. Pi: Frio o dia, ou a noite, permite-nos fixar um ponto, permite-nos sentir o corpo, e com ele o Eu que nos grita!

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  12. seilá: Eheh, cá para mim és engenheira …. ( arte de ter engenho!)

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