28 de fevereiro de 2006

ainda os instantes...ou o que se soma, com eles...

pesam-me,
as linhas agarradas ao destino. teias sem cor que desenham angustias mascaradas de sorrisos. sombras…continuamente, sombras-afiadas, gumes-de-alma-ferida.
pesam-me,
os instantes contados ( re-contados e perdidos no nada, extinguidos sem tempos )…
pesa-me,
esta obrigação de os ver todos !
ah! como queria ser distraído e só os olhar (aos instantes) deformados no sonho, moldados na realidade do sentir…
mas,
aqui estou, (novamente, repetidamente) a olhar o vazio que me forja o eu, como se não soubesse já que o horizonte  só se vê quando o procuramos!
pesam-me,
estes espinhos-de-petalas-de-rosas-com-perfumes-de-sol, como se a fantasia me mentisse deliberadamente ( em gozo de palhaço a fazer horas extra de espantalho de searas ao vento sul), este falso existir..
ah! porque sou ( apenas ) um somatório  de instantes que não sei colorir?

2 comentários:

  1. Querido Almaro

    Olho
    os instantes
    que as horas
    me oferecem
    o rio
    não consegue
    aprisionar as pedras
    pois – elas
    movimentam-se lentamente
    desejando tocar
    as margens
    no húmido pousio das garças
    o silêncio
    no íntimo
    desprender da água doce
    ponho o gume da sede
    na ausência das palavras

    Beijinhos

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  2. betty: penso ( vezes muitas, e em cadência acelerada){idade?} que olhar um instante é perder a sua essência, é ficar com o perfume ( ou cor) e não lhe sentir o calor ”… o rio não consegue aprisionar as pedras…” . Quando descobrir forma de no mesmo instante, reter, em cada um que me vive ( instante),{ lá estou eu com os círculos...} o perfume, a cor e o calor sentirei a serenidade que tanto procuro…

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