31 de janeiro de 2008

Se voasse, não feria o mar

A morte é um eco a espreitar ao longe
( é a nossa própria voz a perder memórias, num gemido esquecido que nos
abraça os silêncios…)
Repete-se
escondido
a esvoaçar, deselegante nos vazios
( como o voo do morcego)
Por vezes vou com o eco de um navio-sem-velas-a-ferir-o-mar…
Se voasse,
podia ir, sem o ferir, sem o sangrar de sal,
como uma onda perfeita,
a espreguiçar-se de horizontes,
ao sol…

“quando morreres pede que te fechem os olhos, para te veres na vida, todo
por dentro”
Disse-me uma gaivota que se balouçava na onda e no vento…




(ou seria o eco?)

4 comentários:

  1. ( é a nossa própria voz a perder memórias, num gemido esquecido que nos
    abraça os silêncios…)


    Só perdemos o que queremos, porque as memórias essas ficam, mesmo que não queiramos.

    Um abraço e tudo de BOM ;))

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  2. Simplesmente genial!!!!

    "Se voasse,
    podia ir, sem o ferir, sem o sangrar de sal,
    como uma onda perfeita,
    a espreguiçar-se de horizontes,
    ao sol…


    “quando morreres pede que te fechem os olhos, para te veres na vida, todo
    por dentro”

    Disse-me uma gaivota que se balouçava na onda e no vento…"


    Palavras que mecheram demais comigo.
    Obrigada por elas.

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  3. maria clarinda: simplesmente, sentires...

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  4. menina marota: como descordo de ti, querida amiga...as memórias são cousa irrequieta, que se metamorfoseam como uma crisálida, ou simplesmente evaporam deixando vazios negros a balouçar nos labirintos que criam...

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