14 de dezembro de 2013

Perdi o hábito das palavras que me habitam. Fugiu-me com medo da minha própria serenidade. Não tenho palavras nos olhos quando me distraio de mim. Desabituo-me delas como se estivesse saciado da vida. Mas elas andam ai a esvoaçar sombras e a baterem-me á porta. 
Abro-a?
Não sei se me reencontro nelas. Já não têm a minha forma, estão desmoldadadas deste meu (des)ver o mundo. Perderam-se no meu próprio (des)tempo que me percorre, simplesmente porque não me passeio nas ruas da mesma forma. Agora levo os passos comigo. Desarquiquetei a melancolia de me ser só, nas ruas. Vou, nos outros porque me entraram no tempo e na memória do sentir. Como quem lê um poema sem o decifrar , sem o desencriptar e deixa que as palavras que o moldam corram nas veias-do-ver, sem reflexos, sem espelhos , esfomeadas de sombra.

Sem sombra não há poesia?
Provavelmente não , tal como não existem ondas sem vento ou sem epicentro .

A poesia é a minha tempestade e eu ando por aí escondido nos azuis… 

3 comentários:

  1. Sem sombra não há poesia?
    Provavelmente não , tal como não existem ondas sem vento ou sem epicentro .

    A poesia é a minha tempestade e eu ando por aí escondido nos azuis…
    Belissímas colocações. Texto belissimo!
    Parabéns pela inspiração.
    Estou seguindo seu blog.

    FELIZ NATAL poeta.

    Abçs!

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  2. não sei se andas escondido nos azuis, se são os azuis que se esconderam em ti...

    sem sombra(ainda) há poesia...

    :)

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  3. As palavras são o amor, a tristeja, o adeus e a presença, são as sensações de existir transcritas para a realidade e as tonalidades dos dias. A verdade é que nos ligamos pelas palavras porque elas são uma ligação que une histórias imtemporais e reais.

    Espero que continue a brilhante escrita. IM

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