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16 de março de 2008

searas

ceifo, searas-de-sonhos,
decepo-os, disseco-os e ato-os,
em laçadas-de-sol…
(ilusão?)

incomodam-me
(vestidos de cores que me enfeitiçam e me sopram ventos-do-ali…)

ceifo-os
com foice-lágrima e mergulho-os em mim,
( de raiva)

só o índio-de-cabelo-azul,,, persiste,
só a gaivota,,,existe…
(a criança ri!)

e o cavalo?
e o cavalo?

( foge

em galope

op-op...

crina-de-porcelana,
branca,

sonho?

de madeira, veloz de
ventos...

op-op

alísios?)

e eu?
e eu?
papagaio de papel a voar…
ceifo, o cordel
seiva-de-mim
a vaguear…

11 de abril de 2007

ainda o passado, ou o desenho dele

Desenhei o passado com (…) e disse-me a voz do vento que “um passado arrumado desenhá-lo-ia com ponto final, porque um passado desenhado a reticências, é ainda muito sugestivo...”…
Tenho duvidas que um passado se sinta um ponto final ( quanto muito ponte e nunca final, porque para se saber o fim, tem que se olhar o inicio e o inicio…, ah! o inicio é uma raiz que se perde no olhar...). Mas o problema prende-se não só com a (des)arrumação desse passado, mas com o facto de que cada um o olha, ou o vê com a sua memória, e cada um tem a sua, o que provoca um vendaval de impossível arrumação.

Admito que (...) não seja grande desenho do passado, gostaria de ter imaginação mais requintada, mas ando escuro de ideias e lento de pensares…
Passemos então à frente de simbolismos, e tal como a memória que cada um desenhe a sua, conforme os ventos e os sentires.


nota: isto que se escreve,( aqui) não é zanga com o vento, ou com costureiras de estrelas, ou cousas outras, é puro mau feitio e o de gostar de contrariar por teimosia demente ( cousa que me vem do passado e que não tem explicação inteligível...)

10 de abril de 2007

carta de um passado

(...)

Perdi o teu contacto.
Arrumações aqui e ali, apagaram memórias e passados.
Escreveste-me a devolver parte desse passado, meu e teu, (Dizes).
Palavras escritas e sentidas a duas mãos. Lembro os sentires. O momento. Os sorrisos...
O desenho do passado perde-se, tal como o do futuro. Todo o desenho se perde no cinzento das sombras. Como quem fecha os olhos e imagina a cor. Fica sempre esse limbo entre a imaginação do ver e do sentir ( será que há cor, no que imaginamos de olhos escuros a redesenhar os sentires?, ou os passados? ou os futuros? ou só há cor na luz?).
Reli o passado que me devolveste. E revi-me. E revi-te. Ali estávamos os dois a escrever sentires. De nós? Ou das personagens que nunca fomos nós?
Perdi o contacto para te dizer , um sorriso, porque os sorrisos também se escrevem, também se dizem.
Eu já não sou o mesmo. Tu continuas a arrumar o passado. O meu anda por aí na memória de cada um, mas só no que me ficou no eu, lhe reconheço cores e sombras. Sempre as sombras. Se um dia pintar a memória pinto-a cinzenta.
A cor evapora com o tempo, mas como as flores, ambas tem sementes.
O passado que me enviaste tem forma de semente. Por isso te queria escrever, para te dizer a forma da cor da semente que me ficou na memória. Porventura cor de papoila. Já teve um quadro essa papoila. O quadro já não sei dele. Dei-o para angariar fundos já não sei para que causa.
Não sei se aqui vens.
Este espaço não tem passado, e o outro de onde vim , já não tem futuro, mas queria-te escrever ( já o disse) para te deixar um sorriso suave, sereno. Trago sempre a serenidade com o passado, para não me surpreender com o futuro.

(???)


(...) desenho do pasado
(???) desenho do futuro