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9 de junho de 2008

ecos?

Que solidão é esta que me entretêm a ouvir.te, a ti que te escondes em mim? que me leva a passear.te de mão dada na praia e ouvir os ecos dos teus sorrisos, em névoas de horizontes?

Que solidão é esta que me impele a agarrar a noite e pintá.la com as cores que me segredas aos olhos, cores que nunca vi?

Que solidão é esta de me ter esquecido de mim?

Ah, como eu gostava que os espíritos da memória me sussurrassem tudo o que eu sou, tintim por tintim…

(Se eu fosse futuro queria tanto ser Raízes!!!!)

8 de junho de 2008

oiço.te

Antes de terminar o amanhecer, Oiço.te, deixo.te falar, da mesma forma que consinto que a minha sombra me siga, alheia ao meu olhar.
A sombra não sente e tu és indiferente ao destino, Sei que me olhas desconfiado, Sei que não me acreditas, simplesmente porque tu és a ilusão-do-vento-que-se-recusa-a-sonhar…sei que sou apenas o que resta da sombra e que a sombra é o que sobra do sentir , A cor, essa tenho.a guardada no Ver e alimenta.me a esperança de ser mais
(autentico?)
do que me vejo no sonho.
Oiço.te antes que a manhã se desvaneça no mar para não me enganar nos futuros…

6 de junho de 2008

des.encontros

De vez em vez espreitas-me
( interrogas-me?)
como se fosse eu a criança, mas escusas de te rir assim
(que nem mil-meninos-a-brincar-à-cabra-cega),
Escusas de correr atrás de mim, como sombra-colorida-do-saltimbanco-arlequim, Eu estou aqui e tu aí, nada de confusões, não me impinjas o tempo que não vivi, não te coles a mim, Podes ficar aí, a olhar-me que não me assustas, podes mesmo ficar aí para sempre a assobiar que nem um pastor-de-primaveras, eu vou agarrar num seixo redondo e fazê-lo saltar no rio como se soprasse a saudade de Ver o reflexo dos teus olhos, Vou por aí sem vontade de voltar, a rir, a rir de mim, não das brincadeiras que perdi, não dos sorrisos que escondi, Agora tudo é meu, Podes ficar aí, Sim podes adormecer ou lançar o pião, sonhar ou sujares-te todo no chão, podes até montares o cavalo de madeira e ires também Tu por aí, leva tudo, tudo, mas não me empurres assim!

4 de fevereiro de 2008

Iludir a noite

Sento-me,
na solidão da tarde
a imaginar o sol..


Ambos,
Longe
A tarde e o sol…
Entre mim e o sol há uma noite...


( semente ?)

que canta
sem acordar,
entrelaçada no tempo e no vazio…

(Chovem voos de gaivotas de uma nuvem de cristais…)
Deixo-me gravar , pesado na areia
a imitar os dias que sonhei
a ouvir destinos-sem-ida ...

porque estou ali?

(Não sei! Tu, sabes? )
Estás a respirar o tempo,
embriagado no acreditar que vais,,, abraçado à vida!

31 de janeiro de 2008

Se voasse, não feria o mar

A morte é um eco a espreitar ao longe
( é a nossa própria voz a perder memórias, num gemido esquecido que nos
abraça os silêncios…)
Repete-se
escondido
a esvoaçar, deselegante nos vazios
( como o voo do morcego)
Por vezes vou com o eco de um navio-sem-velas-a-ferir-o-mar…
Se voasse,
podia ir, sem o ferir, sem o sangrar de sal,
como uma onda perfeita,
a espreguiçar-se de horizontes,
ao sol…

“quando morreres pede que te fechem os olhos, para te veres na vida, todo
por dentro”
Disse-me uma gaivota que se balouçava na onda e no vento…




(ou seria o eco?)

28 de janeiro de 2008

arvore de mim

Tenho esta mania
( louca?)
de me ouvir através das árvores

( O eco, da sombra?)
Só no embondeiro me sou autentico,

( mistura de terra e semente a abraçar o sol?)
Sou uma gota

( lágrima?)
Que bebe a terra em suor, com sedes de tempo, a crispar o fogo das memórias

( como um búzio perdido na areia a esconder os suspiros do mar…)

Oiço-te

(Árvore de luares ocultos?)

Eco…

( vultos?)

Oiço-me silêncios…

…têm sombra os sons do meu respirar….

19 de janeiro de 2008

esculpir um segredo

Tenho um mistério para esculpir, fugido para além da esfera armilar ,
Esconde-se aquém de mim,
Ali,
entre a nuvem e o luar

( só o vazio não tem sombra…
Sussurra-me o vento , entre o voar da gaivota...)
É esse o teu mistério? A tua quimera? o teu segredo?

O mistério que me foge do desenho, é o ponto por onde esquiço o caminho, entre o vazio e a sombra.
Um ponto,
só,
sem regra de oiro, sem matemática, sem nada.

( sou escultor do ar…

sussurro-me eu, que já não sei o que sou, perdido no ponto,
sem saber se cheguei, ou se parti...
)

Não é a fantasia tão só isso, uma escultura de ar?
Não é o pensamento ou o sonho, não mais do que isso, um esquiço de ar?
Não é a vida, mais do que sucessivos respirares?
Tenho um mistério para moldar, que me estilhaça o olhar …

11 de janeiro de 2008

(in) definições

Sei,
com a convicção de um instante,
(Como é efémero um instante, no entanto é com a soma deles que se constrói o eterno…)
Que mania a tua de te interromperes, de saltares de uma coisa para a outra…
Sei, com a convicção de um instante,

(Do instante, porque a verdade passa-nos a correr como que a fugir e quando a queremos fixar já lá vai longe… é doida a verdade… só quando se cansa a apanhamos…)

Desculpa…eu continuo…
Sei, hoje que
( assim é melhor, é neutro, não tem interrogações existenciais…)
isto está difícil…
Dizia eu,
... o que me distingue dos outros animais, não são as palavras, nem a fala, tão pouco o pensamento
( mesmo que desordenado e irrequieto),
mas a forma como transformo o olhar em sentir…

2 de janeiro de 2008

palavras-lágrima

Escondo a angustia nas lágrimas que seco, no abafo dos ruídos da vida,
e olho ( ME)
( retrato-vazio-na-ausência-de-um-rio-de-desaguações-infantis)
Só o som existe
sem estética,
( imoral)
sem vento…
( que pena!)
que me liberte do sal!