tenho uns olhos em forma de lápis, mas nem sempre de cor... Sei que sou esquisito mas a vida moldou-me assim... ganancioso de SER por inteiro e não me caber por inteiro em mim.
1 de novembro de 2009
campândula
rasgar a pele do mar
(e as asas?esgares de homem que se sabe
e as pedras?)
só,
areia submersa de nuvens…
(amam as aves?)amam!
( disse-me uma que pintava inquieta o céu de bruma),
amam,
as árvores-do-mar,
onde se empoleiram a navegar,
amam,
o silêncio do vento a cantar
(e as flores? e a lua?)
24 de outubro de 2009
acordares
mas dormia)
para que não se zangasse, pintei-a em coloridos-de-ágrimas-de-sol-incompleto-e-sonâmbulo …
caminhei,
para que não morresse sem mim...
6 de outubro de 2009
sombras
( nevoeiros de lua?),
Pincéis funâmbulos, sem água assobiam silhuetas diurnas
(assíduas)
Caldeio, confuso, opacos escuros, como quem chora fantasias
(queixumes?)
Dunas da alma, vagabundas!
22 de setembro de 2009
Pescador de búzios
(do tempo?)
Sem velas nem destino,
( pensamento?
Sonho?)
.
.
.
Lento,
caminho sem mim
Cinzento
á procura dos alísios
(Pescador de búzios?)
Ao fundo, no longe de um abismo, o sax canta, sem músicos
E tu?
Tu que respiras semente
Porque te escondes no acaso
Porque te escondes no escuro negro da noite?
12 de setembro de 2009
15 de agosto de 2009
Futuros
Já só vivo futuro(s), suspenso na cor do desenho que se desalinha ( desvive?) no vento…
Pudesse eu agarrar o vento e vivia-me inteiro,,, HOJE!
8 de agosto de 2009
sussurros
Oiçam!
Oiçam o poeta
A marulhar silêncios e a falar com as nuvens….
Oiçam!
Não é ele que fala,
São os olhos do universo, que lhe sussurram o verso….
17 de julho de 2009
escultor de sombras
e não me sinto pássaro,
mas escultor de sombras e de memórias, a respirar serenidades...
varro silêncios,
como quem acaricia o tempo que nos habita o passado
7 de julho de 2009
ir nos pedaços de mim
( desabitei-me),procura-me no olhar dos pássaros e as raízes do mar
28 de junho de 2009
Pontos de fuga ( fugazes? Tuaregue?)
Labaredo a noite, ateada de mim,
calor fugaz de memórias adormecidas
( esquecidas?)Ecos de um abismo que me abraça na escuridão das nuvens da noite,
ruas sem becos,
sem calçada ,
sem fim…
Rasgo as sombras, em pedaços de pó
( cinzas?
cenário?)
E espreito a fantasia de me colorir em azul-tuaregue
( vagabundo da luz, caminhante sem destino, pastor de horizontes e de ventos?)Ardo no destempo, sem passado nem futuro,
Ébrio de cor, possuído na ansiedade de me ser outro, e ir...
(Grão de areia,
cristal de deserto, ponto ínfimo na inquietude de me completar inacabado,
pedra angular por esculpir…)
14 de junho de 2009
Fado ( meu)
Guitarra,
guitarra que ardes em lamentos d'agua,
que choras na angustia da alma,
esta saudade
de rio sem idade...
Guitarra
Guitarra minha que sibilas sem norte,
a solidão de seres gaivota,
errante,
e respiras, calada o voar deste teu fado ,
alado...
Guitarra que suspiras, triste,
afagada no sonho do menino que não existe...
embalada no gemido da morte…
10 de junho de 2009
Hospede
Sou o ultimo hospede vagabundo que deambula neste corpo mendigo de respirares ofegantes, agrilhoado na solidão do sangue que se transmuta em lágrimas de cristal-lua,
densas,
impuras...
Abismo-do-deserto-sombra...
(Na imprevisão -dos-instantes,
Sedento de luz...)
15 de maio de 2009
lastro
Corro indiferente,
no limite da sombra. Invento-me,
na tentativa inútil de renascer num sorriso. Invento-me gaivota,
como quem ilude o labirinto e voo, voo pintado de azul, num planar sereno, sem olhar chão que me atrai na queda.
13 de abril de 2009
recheios ( receios?)
( um dia destes, no destempo da noite…grito-os!)
29 de março de 2009
Vento(s)
O vento da primavera é diferente…
Não porque vem embriagado de cores e perfume,
Mas porque vem escondido nas sombras dos pássaros...
22 de março de 2009
Neo-impressionismo
Agarrei em polen-de-estrelas,
Dois palhaços ( mais uma plateia de crianças com-sorrisos-de-meninos),
Um girassol de noites-de-meia-lua,
poemas de horizontes-azuis ( qb)
Um sopro de flauta de pan
e
ZÁS
.
.
.
Pintei um sonho!!
21 de março de 2009
19 de março de 2009
Limpezas (1)
Fechar os olhos e tactear a serenidade não é tarefa simples.
Primeiro,
antes do instante em que entramos nas entranhas do ver, temos que limpar todos os pólens-de-sombra que vagabundam no redondo do universo que a habita ,
depois.
basta colorir o escuro com o nosso respirar que se fantasia nas cores do sentir… e navegar na bolina de um sorriso.
18 de março de 2009
17 de março de 2009
Colorações noctívagas...
Um dia,,, vou pintar os murmúrios que oiço em noites de (des)lua, (trocados ao despique entre pedras escuras), para que adormeça iludido que sonho serenidades...
15 de março de 2009
In.quietudes
Numa noite nua de estrelas, a lua, vestida de Columbina, segredou.me coisas só dela e do Universo ( parecia uma flauta de pastor de colibris a zaragatear papoilas-de-primavera)…
(…)
Eu,
Calei.me,
Não fosse entender, de uma só vez, todos os mistérios que se passeiam em cavalos-de-vento,
ou, viesse o Pierrot todo armado em Arlequim tirar.me a quietude do sonho
13 de março de 2009
no silencio de um grito
escrevo,
no ocaso do dia, ao acaso,
no destempo de mim, como se a esquizofrenia andasse a marulhar.me a alma.
Sompram.me ventos, agrilhoados nos gritos que me fogem, no silêncio que me atropela as cores.
No entanto escrevo, como se o tempo não tivesse instantes…
(...)
Passeio nestas ruas-canal, sem o espelho da memória, Indiferente à cor, ou mesmo à linha do horizonte urbano que me ensombra o olhar.
Passeio-me como fantasma, sem voz, impedido de ser autentico na revolta que me arde as lágrimas dos olhos…
Sem data,
caminho entre nadas e futuros a carregar os sonhos de quem não se conforma com a mediocridade do cinzento das sombras…
5 de março de 2009
teorema
(sem calculo e sem geometrias)
um teorema-de-estrelas-carmim,
entre o voo das águias,
Pinto-o em linhas de alma,
(quase rios,
quase águas)
e fluo em labirintos-de-mim,
(como quem bebe as sombras da noite,
embriagado de luz)
24 de fevereiro de 2009
Por dentro
O lado de dentro da alma tem a cor do sentir ,
o de fora,
sou eu, todo mergulhado no ver...
8 de dezembro de 2008
colorações
(eu e o desenho),entre as páginas de um livro, a viver a poesia de ser cor e desejo
(sem labirintos nem fronteiras),Estilhaços de espelhos que vagueiam nos olhos de uma flor que conta histórias de fantasia ás crianças que se escondem nos fragmentos do luar...
24 de agosto de 2008
sem.jardins
Esqueço o caminho, esqueço tudo e transformo.me lúcido em lágrima, doce,
Onde estás?
Iço as velas, em bolina e vou sem sentido,
cego de mim e levo.te,
Oiço o vento,
Que se desfaz em onda.sereia,
Violento…
Nesta teia
para onde vou…
Só
23 de agosto de 2008
flor rubra
cabelos.ebano aos ventos de mar, aqui e ali ondas de vida, Doce canela que esvoaça em mim…
Sonho.te no sorriso da noite, na noite dos corpos.
Toco.te, nuvem de seda, que me bebe, ébrio de ti…
e ali, no horizonte, sopro o pólen do arco íris,
(Quadro azul …
Cicatriz
ardente)
Desenho.te no perfume silvestre ,
Flor.rubra
ausente
22 de agosto de 2008
viagem incolor, em tons de azul.rosa
Só a solidão me chama,
qual farol de sombras, caiado de azul...
21 de agosto de 2008
em tons de rosa.sangue
Olho o mar,
pastor de ondas e de estrelas sem cor.
Arvore de dor, que me enlaça,
.incolor...
.
.
.
.
.
.
2 de julho de 2008
instintos indestintos
Esta minha ausência de tempo-memória empurra-me para um abismo incolor. Coloco etiquetas a cada cousa única que me abraça o sentir e dou-lhe um nome qualquer.
O Importante não é o nome, mas o impulso de o gravar.
É no impulso que se concentra a libertação do sentir, transformando o instinto de Ser, na essência de Existir-no-Ver…
1 de julho de 2008
20 de junho de 2008
pausa de mim
19 de junho de 2008
Des.raiz.ar
( disseram-me!A palavra ficou esbatida entre os passos, a tentar encontrar sentido, como se fosse um botão de flor…
Pediram-me?)
( um botão de flor , é quase flor, é uma flor que se esconde da cor…)Ando confuso
(difuso?)mergulhado neste labirinto de me ser muitos.
Encontrasse eu o ponto que me une na incoerência de existir e seria uma simples gaivota sedenta de mar e de azul
( branca de onda)…Descobrisse eu o que se esconde na sombra e saberia qual de mim olhava o horizonte, qual de mim voava para lá do ocaso
( ao acaso?Porque insisto em desenhar horizonte em forma de caravela?
sem madrugada?)
( alada?)
18 de junho de 2008
sou ( qualquer coisa)
pousar em cada coisa e não lhe ser a palavra,
mas ir
vagabundo,
sentir de olhos fechados,
(como quem mente de olhos abertos...)e acreditar que sou o que sou,
pedaço de nuvem,
estrela,
gaivota,
palhaço,
colibri,
bailarina,
cavalo selvagem,
imbondeiro,
aragem,
bolero,
índio,
poema,
feiticeiro,
arlequim,
pó do universo,
fantasia,
sol a nascer,
ou vento…
Que importa o que sou, se sou tal qual cada coisa que me extasia o Ver…
17 de junho de 2008
(des). explicações
Tentaram explicar-me o vento. Para quê? Porquê? Que despropósito!
Eu, que não procuro a explicação da vida e que a concentro num único ponto, abandonado ao acaso, para que quero a explicação do vento?
Basta que me leve no sonho de não me descobrir , para que não me roubem a liberdade de me sentir gaivota!
16 de junho de 2008
(des).existir
Desenho-te, sem lápis, sem cor, no vazio de mim…
(Só assim existes, entre o olhar e o sentir, como folha de Outono a cair…)
15 de junho de 2008
duvidas
A paisagem que invento é tão diferente daquela que me entra nos olhos e no entanto ando entre uma e outra sem saber em qual delas a cor é autentica.
11 de junho de 2008
no desenho de uma rosa
( que sentes tu quando os respiras?
Eu?
Eu sonho…
É sentir , o sonho? )
Parecia uma pomba-de-picasso,
Mas a minha,
dançava e ria,
dançava e ria
(até fugir do papel em mil acrobacias…),
desenhei uma Rosa,
quase nuvem,
quase céu,
que voava
(quase gaivota)
e ria,
ria…
Desenhei-a de uma só vez numa só linha…linda!
9 de junho de 2008
ecos?
Que solidão é esta que me entretêm a ouvir.te, a ti que te escondes em mim? que me leva a passear.te de mão dada na praia e ouvir os ecos dos teus sorrisos, em névoas de horizontes?
Que solidão é esta que me impele a agarrar a noite e pintá.la com as cores que me segredas aos olhos, cores que nunca vi?
Que solidão é esta de me ter esquecido de mim?
Ah, como eu gostava que os espíritos da memória me sussurrassem tudo o que eu sou, tintim por tintim…
(Se eu fosse futuro queria tanto ser Raízes!!!!)
8 de junho de 2008
oiço.te
A sombra não sente e tu és indiferente ao destino, Sei que me olhas desconfiado, Sei que não me acreditas, simplesmente porque tu és a ilusão-do-vento-que-se-recusa-a-sonhar…sei que sou apenas o que resta da sombra e que a sombra é o que sobra do sentir , A cor, essa tenho.a guardada no Ver e alimenta.me a esperança de ser mais
(autentico?)do que me vejo no sonho.
Oiço.te antes que a manhã se desvaneça no mar para não me enganar nos futuros…
6 de junho de 2008
des.encontros
( interrogas-me?)como se fosse eu a criança, mas escusas de te rir assim
(que nem mil-meninos-a-brincar-à-cabra-cega),Escusas de correr atrás de mim, como sombra-colorida-do-saltimbanco-arlequim, Eu estou aqui e tu aí, nada de confusões, não me impinjas o tempo que não vivi, não te coles a mim, Podes ficar aí, a olhar-me que não me assustas, podes mesmo ficar aí para sempre a assobiar que nem um pastor-de-primaveras, eu vou agarrar num seixo redondo e fazê-lo saltar no rio como se soprasse a saudade de Ver o reflexo dos teus olhos, Vou por aí sem vontade de voltar, a rir, a rir de mim, não das brincadeiras que perdi, não dos sorrisos que escondi, Agora tudo é meu, Podes ficar aí, Sim podes adormecer ou lançar o pião, sonhar ou sujares-te todo no chão, podes até montares o cavalo de madeira e ires também Tu por aí, leva tudo, tudo, mas não me empurres assim!
4 de junho de 2008
no retomar dos passos
O instante ( momento em que o presente devora o futuro) é uma “partícula-do-tempo” que é simultânea em qualquer ponto do Universo…
Dois instantes consecutivos de tempo é que diferem, ao ponto de se tornarem únicos…
Imagina-te um ponto!
Um ponto é sempre centro, e nele ( rodando) consegues Ver tudo! Mas sempre que rodas só alcanças um instante de cada vez…
Se saíres do centro, consegues Ver todos os instantes, num só! De uma só Vez!
No entanto, levaste o ponto contigo ( perdeste o Centro!)…
É nessa deslocação de pontos, de instantes e de acasos que constróis o teu caminho…
in "apontamentos para um manual da serenidade" ou como devemos estar sempre disponiveis para nos diluirmos na harmonia de sermos em simultaneo, infinitamente grandes e pequenos, sem nunca perdermos o UM que nos une os instantes...
( rodar = circular = viver)
28 de abril de 2008
nos (a)braços do tempo
No desenho não há arte,
( a arte está no tempo)
a linha esconde a ansiedade do sentir
e é ele
( tempo)
que a desenrola no papel e na cor…
O desenho, é assim
( nos meus olhos de hoje)
uma lágrima que se esculpiu em poema
e fugiu
(ao poeta)
para ele se libertar da cor que lhe estrangula o respirar e o ver...
( dor?)Essa fuga,
essa lágrima,
esse desenho,
é construído nas linhas do tempo,
( abismo?)pois só ele sabe transformar o caminho em cor…
tudo o que se vê no desenho,
mesmo que incolor,
é puro sentir
( amor?)
20 de abril de 2008
sem tela
( de uma árvore-anjo)desenho,
( sem tela)uma linha comprida
( sem centro)paralela…
( entre mim e ela)Em cada um dos pontos
( passos? estrelas?)
vai um barco-á-vela…
Adormeço
( quase menino, quase índio)empoleirado,
divertido,
na linha ténue que me separa do sonho de dormitar nos braços dela…
Subo com o vento
( gaivota?)ao ramo mais alto
( sem volta)
e salto…
( é arvore-anjo que importa se caio …)voo,
na linha que desenho
(paralela)entre mim e o deserto…
Lá no longe, está ela
( índia? cigana? )a colorir o quadro sem tela…
15 de abril de 2008
por dentro
In “ apontamentos para um manual da serenidade", ou como, quando confrontados com o abismo, somos levados pelos ventos-da-alma, a reinventar o horizonte-do-olhar
13 de abril de 2008
re-escrever
cada letra
( uma a uma)para reinventar a palavra
disseco o som-da-morte-à-espera-do-sol-e-da-semente
e desenho
raízes…
oiço cada uma
( palavra)
árvore invertida a desfazer-se no rio,
( rio-me)
a névoa grita-me, a crepitar palavras-palhaço
( aflita)
e pinto-me
( de novo...)
12 de abril de 2008
o esquiço da tristeza
(vasculho o vazio,numa viagem ao mais autentico que tem o interior de uma lágrima
a bruma,
a névoa…)
(chovem aguarelas, do esquiço profundo de mim…)
…é assim a tristeza…
(sussurra o eco de Ti)
8 de abril de 2008
preencher vazios
fragmentos inteiros de cor...
Reflexos brancos,
Vazios…
É o sorriso
(de me saber cada um)que me desenha a sombra…
1 de abril de 2008
de que lado do corpo?
como quem se senta ao lado do sonho,
sem conversa nem olhar,
até sentir a seiva da sombra a tingia-se do meu sangue, No fim
( no mar?),espreitei,
como quem desenha
( só para si)a “alma-do-corpo”*
e procura o verbo amar…
_________________________________________________
*“Alma-do-corpo”, foi-me dito
( escrito)por zabel,
(ao canto de um livro),é diferente do "corpo-da-alma", mas eu ando confuso entre os lados do corpo em que coloque a alma e nem a arvore me disse, nem a sombra me sussurrou, porque anda por aí a minha alma, sem lado reservado no corpo?…terá ficado nas raízes da árvore? No horizonte do sonho?
27 de março de 2008
o salto
( logo eu,Surpreso, dei comigo a viver o que não me pertencia, mas a nuvem que me levou,
que ando sempre perdido no tempo e nas desmemorias,
a saltitar qual acrobata em fio de cetim)
luzia,
( azuis-de-mim)
Se a não seguisse, perdia-me…
Ah, como é bom sentir-me no quadro,
pintado de Arlequim!
Decidi! Fico aqui!
( nem perto , nem longe,,,,Aqui! Sem Hoje!)
24 de março de 2008
ilha ( moçambique)
( histórias?fragmentos,
Ao longe…violinos-de-chopim…)
pequenas estrelas,
filamentos de prata,
preta,
branca,
Em terras-do-indico…
Há um mar à janela,
(Oiço?e velas
De longe…flautas de pan…)
(Açafrão, caril?)na Estrela do sul,
( ilha?)
AZUL!
19 de março de 2008
no desenho do tempo
e eu,
vou com ele, libertino a navegar,
( devagar…)entre o eco…
( o eco, sou eu a falar?
É a minha memória a desenhar?
É o reflexo de uma bailarina cigana que passou por aí sem me olhar nem sorrir, a luzir numa lágrima de árvore que se despenteia ao luar?)
Oiço-te,
( canta,,,? A memória do tempo?)e pinto-te. Real
( como uma águia,,, A voar…)
16 de março de 2008
searas
decepo-os, disseco-os e ato-os,
em laçadas-de-sol…
(ilusão?)
incomodam-me
(vestidos de cores que me enfeitiçam e me sopram ventos-do-ali…)
ceifo-os
com foice-lágrima e mergulho-os em mim,
( de raiva)
só o índio-de-cabelo-azul,,, persiste,
só a gaivota,,,existe…
(a criança ri!)
e o cavalo?
e o cavalo?
e eu?( foge
em galope
op-op...
crina-de-porcelana,
branca,sonho?de madeira, veloz de
ventos...op-op
alísios?)
e eu?
papagaio de papel a voar…
ceifo, o cordel
seiva-de-mim
a vaguear…
10 de março de 2008
silêncios ao fundo, diluidos...( esquecidos?)
oiço os caniços e o vento,
(como um marinheiro que procura a estrela, para lá do fim…)
escuto a guitarra-cigarra-que chora,
Cidade-véu que me atordoa e me engole sem fado...
( susurrando baixinho,
vai e-m-b-o-r-a . . .)
Homem alado, perdido na ilusão
de não ser Homem-multidão...
O silêncio rói
e o que sinto,
( trovão)espraia-se diluído no infinito,
como um búzio esquecido
no eco de mim...
17 de fevereiro de 2008
desenho de um menino-a-chorar
PúrpuraSem azuis-de-areia-que-arde-de febres-e-de-sedes…
Só o vento vive
bebo-lhe as lágrimas, repiro-lhe o mar,
e voo ,
raso na sombra,
à procura do que fugiu de mim a sangrar…
10 de fevereiro de 2008
palavras, soltas
uma a uma
desordenadas
( como as estrelas)não cintilam,
derretem
aos pingos
letra-a-letra
fecho-me no quarto. só.
( o céu é uma árvore de palavras por escrever,
os sonhos, os seu ramos,
as estrelas , os olhos!)
cada palavra que me foge, é um janela,
em cada uma
(estrela?)há um mundo inteiro que me atropela e que se diverte a esculpir-me…
Sou estátua de palavras…
( segredadas ás estrelas que tocam violinos , guardadas nos búzios
que marulham nos reflexos da lua…)
sombras
a ouvir o tempo... como se chovessem dentro dos olhos, gotas de silêncios…
9 de fevereiro de 2008
desenho?
o teu seio
(sem desenho, traço ou cor…)
estilhaçado nos sentidos,
perdido na teia que tece o desejo,
( dor?)
é tudo o que me sobeja
do teu seio
que escrevo no silêncio de um beijo…
4 de fevereiro de 2008
Iludir a noite
na solidão da tarde
a imaginar o sol..
Ambos,Entre mim e o sol há uma noite...
Longe
A tarde e o sol…
( semente ?)
que canta
sem acordar,
entrelaçada no tempo e no vazio…
(Chovem voos de gaivotas de uma nuvem de cristais…)Deixo-me gravar , pesado na areia
a imitar os dias que sonhei
a ouvir destinos-sem-ida ...
porque estou ali?
(Não sei! Tu, sabes? )Estás a respirar o tempo,
embriagado no acreditar que vais,,, abraçado à vida!
31 de janeiro de 2008
Se voasse, não feria o mar
( é a nossa própria voz a perder memórias, num gemido esquecido que nosRepete-se
abraça os silêncios…)
escondido
a esvoaçar, deselegante nos vazios
( como o voo do morcego)Por vezes vou com o eco de um navio-sem-velas-a-ferir-o-mar…
Se voasse,
podia ir, sem o ferir, sem o sangrar de sal,
como uma onda perfeita,
a espreguiçar-se de horizontes,
ao sol…
“quando morreres pede que te fechem os olhos, para te veres na vida, todoDisse-me uma gaivota que se balouçava na onda e no vento…
por dentro”
(ou seria o eco?)
28 de janeiro de 2008
arvore de mim
( louca?)de me ouvir através das árvores
( O eco, da sombra?)Só no embondeiro me sou autentico,
( mistura de terra e semente a abraçar o sol?)Sou uma gota
( lágrima?)Que bebe a terra em suor, com sedes de tempo, a crispar o fogo das memórias
( como um búzio perdido na areia a esconder os suspiros do mar…)
Oiço-te
(Árvore de luares ocultos?)
Eco…
( vultos?)
Oiço-me silêncios…
…têm sombra os sons do meu respirar….
24 de janeiro de 2008
uma primavera noctívaga, em tons de inverno
a ordenhar uma estrela.
Tinha a paleta vazia, enlutada de trevas-da-noite…
( no Inverno tudo é cinzento e as cores secam por chorar quimeras…)Sonhei com uma noite de primavera , onde as cores se abraçavam em odores,
eu
pintava cada um deles, numa tela de flores…
chove-me a negritude da alma e eu ali,
pastor
a passear sibilos de andorinhas, numa noite escura sem cor...
20 de janeiro de 2008
escalada
o fio, ténue da aranha que se estende ao fim-do-céu
pesa-me o olhar
e quebro o infinito
que se esvai do eu para o abismo
só o sol brilha, e reflecte-se na teia
( na vida?)eu, caí da memória, como se voasse nas assas de uma gaivota-de-audouin,
longe de mim…
(A gaivota de Audouin é uma espécie confinada ao Mediterrâneo, que entrou nas palavras sem pedir licença, agarrou em mim e levou-me…)
19 de janeiro de 2008
esculpir um segredo
Esconde-se aquém de mim,
Ali,
entre a nuvem e o luar
( só o vazio não tem sombra…É esse o teu mistério? A tua quimera? o teu segredo?
Sussurra-me o vento , entre o voar da gaivota...)
O mistério que me foge do desenho, é o ponto por onde esquiço o caminho, entre o vazio e a sombra.
Um ponto,
só,
sem regra de oiro, sem matemática, sem nada.
Não é a fantasia tão só isso, uma escultura de ar?( sou escultor do ar…
sussurro-me eu, que já não sei o que sou, perdido no ponto,
sem saber se cheguei, ou se parti...)
Não é o pensamento ou o sonho, não mais do que isso, um esquiço de ar?
Não é a vida, mais do que sucessivos respirares?
Tenho um mistério para moldar, que me estilhaça o olhar …
11 de janeiro de 2008
(in) definições
com a convicção de um instante,
(Como é efémero um instante, no entanto é com a soma deles que se constrói o eterno…)Que mania a tua de te interromperes, de saltares de uma coisa para a outra…
Sei, com a convicção de um instante,
Desculpa…eu continuo…(Do instante, porque a verdade passa-nos a correr como que a fugir e quando a queremos fixar já lá vai longe… é doida a verdade… só quando se cansa a apanhamos…)
Sei, hoje que
( assim é melhor, é neutro, não tem interrogações existenciais…)isto está difícil…
Dizia eu,
... o que me distingue dos outros animais, não são as palavras, nem a fala, tão pouco o pensamento
( mesmo que desordenado e irrequieto),mas a forma como transformo o olhar em sentir…
5 de janeiro de 2008
no desenho de um labirinto
como um labirinto que se espraia na foz de um rio, a fingir-se horizonte…O coração queima em combustão lenta,
o tempo e quimeras,
em pingos de areia que desenham dunas e desertos...
3 de janeiro de 2008
cigana?
a desnudar-te,
a alma…
( estás tão bela assim!
Desenhada em sorriso púrpura nas sombras da minha noite… )
2 de janeiro de 2008
palavras-lágrima
e olho ( ME)
( retrato-vazio-na-ausência-de-um-rio-de-desaguações-infantis)Só o som existe
sem estética,
( imoral)sem vento…
( que pena!)que me liberte do sal!



