quarta-feira, maio 30

estação do oriente

Passeio-me na cidade grande, entre caminhos e desencontros. Aguardo o comboio que me leva (ou devolve?) sem destino, sem tempo. Só eu me encontro imóvel ( por fora?, por dentro?, não sei! parado! cego...) Espero nesta estação de comboios, de uma arquitectura estética disfuncional, que arranha os céus em teias de aço e vidro (baço). (Catedral de namorados que segredam beijos).
Olho. Oro, no silencio dos caminhos e desenho, nas nuvens (e em mim) os contornos do vazio.

terça-feira, maio 29

entre os azuis do desenho
Maio 2007
Esta solidão que me corre no sangue é um oceano sem ondas nem cor.
Doem-me os olhos e as asas, como quem prende o futuro nas entranhas do eu.
Estranha forma de ir.
Informe.
Sem fome.
Vazio que transborda de sombras. Azuis!
Oiço o mar. Revolta de um sonho. Parado.
Onde se esconde a cor? Na dor?
Se ao menos soubesse desenhar uma flor e não teria esta dor, que me corrói e destrói como um cancro do sentir...
Ah! soubesse eu mentir...

quarta-feira, maio 23

Rezo no silêncio, ao silêncio de mim, como quem chora sem lágrimas ( ou grita sem voz) e sem credo...
Procuro as cores, numa tela escura...
Primeiro,

névoa ( vazios-de-um-rio-agrilhoado)...
...ando...
...sem memórias...
...a imaginar tempos, como quem fantasia destinos...

Depois,

um marulhar , preso, amortalhado...perdido!

terça-feira, maio 22

sábado, maio 12

Sobram-me as sombras ( vela ardida, derretida!). Só as arvores me falam em silêncios de ventos e de ondas. Embalo-me nesta agonia de me escurecer no dia…Desenho reflexos. Trémulos. Incrédulos. Desenhos criolos. De um desejo que desvanece…Olho o papel. Vazio. Só a semente existe. Ela e eu. Só!

sexta-feira, maio 11

fumos de mim

Desfaço-me nos passos, lentos , gravados no destempo da incerteza, Como um cigarro que se extingue , Dissolvo-me no nada. Respiro-lhe as memórias ( das árvores? do tempo? de ti?), De todas as memórias que se descoloriram nas lágrimas. Levo os passos. Lavo-os. No sal. De mim.
Fecho-me no olhar e respiro. Encho-me de vazios e de passos…
Sou uma eterna procura de vazios…

quarta-feira, maio 9

combateremos a Sombra

Autor: Lídia Jorge
Publicação: Dom quixote

Osvaldo Campos é um anti-heroi que se passeia no silêncio de uma Lisboa adormecida. Ele próprio, é o silêncio de uma coragem escondida, de uma cidadania que se envergonha em gritar. Lídia Jorge, traçou em Osvaldo a nossa caricatura individual e colectiva. Desenha os nossos dias, a nossa contemporaneidade, que vive no rescaldo dos incompreensíveis acontecimentos de entre-os-rios. A constante imagem da queda da ponte num a noite de chuvas marca o ritmo da história. Uma história escura, onde os influentes ditam as regras e movimentam os acontecimentos, como se todos nós estivéssemos envenenados e condenados a ser suas marionetas. Também lá está, a Africa doente, desenhada no desequilibrado Catembe, que não consegue ver os seus a conduzir o destino. Não falta o General, apanhado pela história e pelas conspirações, nem os jornalistas mudos, nem a decadência dos valores, escondidos nas molduras das obras de arte, que transformam, ou escondem o pó branco que nos silencia o futuro.