quinta-feira, julho 28

deslembranças




Não me lembrar do tempo,___________, tem esta vantagem, __________, manter os “olhos” per-ma-nen-te-men-te maravilhados, com a descoberta do espaço,
onde, 
os passos, são todos novos,
a luz é toda minha
e as cores são inventadas dia-a-dia.

nota: um dia vou dedicar-me à analise psicológica das palavras que se soltam e se esvoaçam dos meus sentires, não vá darem-me por louco, inapto para a vida ou outras cousas piores sejam elas inventarem sentires que não sinto , ou desenhos que não se me imaginaram no redor das letras ou no coração dos olhos.
assim passo a explicar o escrito, hoje, só hoje porque o vagar é pouco:
 
Não me lembrar do tempo, tem presumivelmente a ver com o meu estado sensorial de desmemoriado efectivo ( muito provavelmente por efeitos de uma queimadura cerebral de um paludismo ranhoso que se me colou em menino, ou efeitos de uma cabeça-de-alfinete que perdura andarilha entre vasos que me alimentam o pensar e o ver). Dou por mim a espremer-me ( como quem defeca) à procura da minha infância, à procura dos meus sorrisos, das minhas lágrimas e nada, só ecos das vozes de quem me acompanhou os passos, mas sei eu que cada um vê os passos de cada qual de forma vária, cada um desenha conforme sabe e muitos sabem pouco , ou deram-se ares de surrealistas, o que para o caso de quem procura o modelo para perante ele poder fazer o seu próprio desenho é uma tragédia de silencio e de vazios que não se encaixam . 
Por isso , 
ou talvez por isso, 
cada amanhã é uma descoberta infantil que me maravilha o ver. Tal como uma criança que põe todas as cores de uma flor nas linhas que a desenha ( mestre almada), também eu ponho todos os sentires nos passos com que desenho o eu, almofadado na ingenuidade da descoberta de cada dia.

sexta-feira, julho 22

amanhecere(s)


Sento-me,
qual gaivota-sentinela que pousa no varandim da onda, a assistir ao pintar da noite pelo amanhecer, __________, lentamente , em aguarelas-de-luz.

Sento-me ( sinto? __________ desenho?).

Olho o evaporar das sombras, o grafitar das calçadas, a dançar nas paredes das ruas, reflexo de um voar pelo coração das pedras, como se os amanheceres fossem ondas a lavar ( levar?) os silêncios nocturnos.

Finalmente,
voo,

( des)pouso do varandim. 

Vou na luz da cidade, abraçado à alegria-do-sorriso das-manhãs-que-me-desenham-os-futuros.
As manhãs , a esculpir a cidade, rua-a-rua, são o alento que me impele para a serenidade que se funde no ver.


quinta-feira, julho 21

cansado do hoje



Estou cansado do hoje, ___________,cansado do que me coube, 
do que me impele os passos, __________,cansado do reverso de mim, 

dos estilhaços que me disformam as sombras, __________, que me percorrem a pele do eu,___________,

(O eu,
O EU),

ecos de  mim,
sem memórias!

do eu, embebido de vazios ( ébrio das negritudes nocturnas)!

Estou cansado , deste comando que anda,
que me manda,
que me evita,
que me controla,
que me parte
Que me esmaga,___________,os silêncios.

Estou cansado do hoje,
das sombras que me habitam, __________, que me desabitam.

Estou cansado do hoje,
do vazio-de-não-ser-o-meu-grito,
das imagens que não pinto,
das palavras que não escrevo,
que me choram, __________,  que me chovem,
como quem canta tempestades
(des)minhas.
Estou casado do hoje e dos passos que não dou,
estou cansado do hoje  e dos passos que dou,
estou casado do hoje , do estar aqui,__________, vazio!
Estou cansado
de mim.

nota: reflexos de um hoje dominado pela desmemória de me ser!

domingo, julho 10

gavetas


Tenho em cada uma das minhas gavetas, __________, um pirilampo!

cada pirilampo, 
de cada uma das minhas gavetas, 
é um guardião de escuros,
sendo que,
cada um dos escuros, __________, é uma palavra sem som, 
uma palavra abraçada a negritudes…abafada em gritos...


é nas palavras sufocadas em silêncios ( escuros) , que eu guardo as minhas sombras!

quinta-feira, junho 30

Datas de nascimento


Temos duas datas de nascimento!__________! Uma, ___________ quando somos paridos pela mãe,

a outra,__________, quando somos paridos pela memória.

Somos o que nos lembramos. __________. O que não nos lembramos e que nos é lembrado por outros, são apenas reflexos, __________, estilhaços, __________, não somos nós!

Nós, __________, somos a nossa memória!


foto: universidade de aveiro

quinta-feira, junho 23

A força gravitacional do destino,

As noites amotinadas retiram-nos o sono, e desarrumam-nos a serenidade , como se o nosso eu, tomasse vida própria,__________, qual vulcão,___________, pegasse em nós e nos colocasse perante vazios que em desespero___________ preenchemos com imagens e
palavras,

___________intermitentes,_____________, tacteantes,

à procura de uma escuridão que nos serene os pasmos que nos inquietam.

Hoje foi uma dessas,
(noites)
entre muitas que me vão desassossegando o corpo em que  o eu, ( coisa estranha e indefinida) se pôs a desenhar.

Se quisesses desenhar a vida como desalinhavas o traço ? 

Foi a pergunta com que ele (eu) iniciou as erupções da alma.

Na desinquietude, disse-lhe  eu :__________, Com dois pontos!__________! Dois pontos definem claramente e precisamente a vida. Um marca o nascimento e outro a morte. Dois pontos, dois "começares" lado a lado. O que vai de um ao outro é o nosso caminho.


Foi nestas “desenhanças” ( pinturas nocturnas em que a alma nos sussurra verdades híbridas e confusas)que me ocorreu que a vida tem varias velocidades,__________, que cada um tem a sua velocidade e esta depende da força de atracção ( sucção) de cada um dos pontos e da influência que cada um deles tem no nosso caminho.

O ideal seria uma velocidade lenta em harmonia gravitacional ente cada um dos pontos.
Quando permanecemos jovens é evidente que o ponto inicial tem uma enorme capacidade de atracção que nos permitir caminhar numa velocidade quase parada, num equilíbrio sereno, entre os passos e a paisagem que nos cerca o olhar, tanto assim é que nem damos pelo caminho ( vida) ,mas em determinado momento é o outro ( ponto) que nos suga os passos e a velocidade aumenta.
Sabermos controlar os nossos passos é essencial para a harmonia entre nós próprios e os dois pontos que nos controlam o caminho, e essa serenidade, essa harmonia depende muito da nossa capacidade de ,__________, qual gaivota, ___________,sabermos pairar nos ventos, sem angustias nem tormentos.
Conclusões de uma noite desinquieta:

A vida tem várias velocidades em cada fase do caminho;
Cada um de nós tem a sua velocidade;
Cada um pigmenta o seu caminho de acordo com o seu olhar;
Os pontos de início (o começar) e de fim ( o outro começar) interagem "gravitacionalmente" na velocidade dos passos de cada um e na idade da alma (ver nota);
A idade da alma varia constantemente num sentido ou noutro , dependendo da posição dos passos relativamente a cada um dos pontos(ver nota);
A força com que cada um (dos pontos) interage com os nossos passos depende de cada instante e é cada instante que determina a força com que nos suga para cada um dos pontos.

Uma das formas de prolongarmos a distancia entre cada um dos pontos é estarmos atentos ás forças que nos sugam e aprendermos a pairar nos ventos que nos empurram…


nota : a distancia que nos separa ( em linha recta e mais curta) de cada um dos pontos, determina a idade da nossa alma . Exemplo: quanto mais curta ( mais perto) estiver a linha ( caminho ) do ponto branco, ( começar) mais jovem é a nossa alma, independentemente do comprimento da linha do nosso caminho em direcção do ponto vermelho. da mesma forma quanto mais curta é a distancia entre o nosso caminho e o ponto vermelho (o outro começar) mais anciã é a dita.

outra nota: entenda-se velocidade como a celeridade ou a vagareza com que nos aproximamos ou afastamos de um dos pontos,__________, não confundir com a velocidade com que temos a percepção do tempo correr, que dada a minha experiência  é precisamente inversa à outra  isto é , a velocidade a que me refiro no texto, diz respeito à velocidade com que os passos se afastam ou aproximam dos pontos, a outra , a que sentimos como brisa do tempo, abraça-nos com um sentir inverso , ou seja quanto mais perto estivermos do ponto começar mais depressa passa o tempo , enquanto que quando nos aproximamos vertiginosamente do outro ponto, mais penosos e lentos sentimos os nossos passos...
resumindo,___________, a velocidade a que me refiro no texto deverá ser tendencialmente o mais lenta possível, independentemente da distancia que tem relativamente a cada um dos pontos.

mais uma outra nota: relembro que estas palavras, desenhos, ou imagens nasceram numa noite irrequieta e rememoro que a inquietude gera grande confusão , pelo que admito que tudo isto seja para cada um de vós incompreensível,. `e o que dá quando nos pomos a retratar a loucura do bailado dos nossos neurónios.

In “Apontamentos para um manual da serenidade”, ou como o desenho dos nossos passos (ou a idade da nossa alma) depende do equilíbrio que conseguem imprimir , resistindo em cada instante à tentação da velocidade com que somos atraídos pelo ponto que se plantou ao lado do começar.

quarta-feira, junho 15

movimento(s)

O centro só é importante quando se move.
Parado é simplesmente periferia, é no movimento que o centro se harmoniza com o caminho e constrói futuros.

In "manual do aprendiz da serenidade", ou como só no movimento respiramos o amanhã, e fluímos no equilíbrio dos ventos...

sábado, junho 11

o desenho e a escrita

A escrita que me escorrega das mãos, __________, são desenhos, __________linhas continuas do ver.

Respirações do olhar. __________. Não o ver dos “olhos”, mas do ver que me percorre a consciência e se fixa num pensamento e na __________ ilusão do horizonte.
O desenho, que escrevo, __________, não tem forma, molda-se em cada instante na musicalidade do sentir. __________. É dessa forma que gotejo palavras, __________, as minhas palavras.
A escrita, __________, a minha, é o meu MAR a esvoaçar na gaivota que navega ventos, __________ , dos ventos para os ventos…

Nem sempre o olhar antecede a escrita, por vezes é ela que dá corpo ao  VER. __________. Ilumina-o como se fosse semente.

Nota:O meu primeiro encontro com a pontuação desenhada (___________, esta linha que nasce entre pontuações ) foi através da escrita ( belíssima ) da multifacetada artista Betty Martins. Só mais tarde conheci a escrita de Llansol onde este tipo de pontuação foi intensamente usada pela autora .
Sempre tive necessidade de ter uma pontuação que traduzisse o vazio. Deixar simplesmente espaços em branco          não traduziam o peso  e a espessura do meu vazio, por isso de vez em vez adopto este tipo de grafia correndo o riso de me julgarem imitador, mas não me importo de correr esse risco. 

quinta-feira, junho 9

que idade tenho?__________________?

Não escrevo diário.__________. Provavelmente porque não vivo todos os dias.

Para viver é necessário beber o tempo e , __________, eu, __________ , nem sempre tenho sede, fico parado a pisar as tatuagens da memória.__________ .São dias sem tempo(s).

O dia tem luz,
a noite sombras,

um (des)dia*, aqueles que vivo sem diário, tem o peso enorme da solidão,__________, uma espécie de buraco negro, que aspira o próprio tempo.

Se vivesse os dias todos com diário era muito mais velho,__________, quando conseguir contar todos os (des)dias que (des)vivi , __________,saberei a minha idade.

* um (des)dia= a 10 metros de tatuagens de memória =10 quilos de solidão = um suspiro .__________.( não sei é quantos suspiros tem um dia.)

estátua(s)

Cinzelo o silencio, não de escopro e martelo, _______________, com pincel aguado em lágrima de colibri.______________________. então pintas ! ___________!não!
Esculpo!
O silencio tem todas as dimensões da alma!!!!!

sexta-feira, maio 27

explicação

Não que seja necessária explicação, mas escrever , o acto de escrever, advém de vários estados de alma. 
Quase todas provêm de desequilíbrios, de vazios, que as palavras vão preenchendo, vão aconchegando o sentir, deixando que ele ( sentir ) flua, como uma espécie de transpiração ( há a transpiração da pele, física e a outra, a transpiração do eu, seja ele alter-eu ( desgosto de alter-ego) ou o eu-próprio . 
Resumindo, para que não se alongue o inexplicável, há escrita que emerge para nos equilibrar o gelo que nos congela em angustias, ou escrita que nos aquece no aninho da serenidade com que nos gravamos nos caminhos. 
Cientificamente falando a escrita rege-se pela lei universal da termodinâmica, no meu caso chamar-lhe ia da termodinâmica da alma . Resumindo o resumo, é tudo uma questão de equilíbrio e de harmonia interior...

passeios

Passeio-me ,
em respirações,
na periferia-do-eu,
espécie de pele-de-mim que me transpira memórias,
gota a gota, ( chuva da alma?)
passeio-me nos pigmentos da fronteira que me-mura-o-olhar e desenho-me (reflectido?
dissecado nos pontos que me informam?)...
Eu,
que não tenho castelos,
nem fortalezas,
fragmento-me na lentidão do espaço que me habita o sentir ( labirinto?)
Eu,
que me obrigo a fluir numa teia-espiral que se expande ( que se espanta?), tenho esta periferia que me nevoeia o ver e que me limita o ser.
Respiro-me na lentidão do sopro,
e liberto-me ( perdido ?) na infinitude do que o-olhar-me-marulha...
(fundo-me
no auto retrato dos passos que me compactam o eu?).

como nasce um poema


comecei a escrevinhar os pensamentos quando me dei conta que eles me esvoaçavam da memória. tudo servia , guardanapos, bilhetes de comboio, tudo servia para apontar uma pequena frase que depois no sossego da melancolia se estendiam noutras palavras e se transformavam de esquisso em desenho. vezes muitas perdi esses pensares, porque a memória sempre foi uma sombra a brincar ao esconde esconde.
hoje aconteceu-me algo estranho. caminhava na serra da boa viagem ( figueira da Foz), e uma dessas sombras, atropelou-me e surgiu assim clara , tal qual , datada e tudo ( 2008) e na falta de papel, não fosse esconder-se vez outra, deixei que se transformasse em som. foi assim que nasceu um poema hibernado no frio de um poço...


deixei tudo
tudo
a casa
o cão
a garagem
o gato
os pratos
as panelas
os garfos
as facas
Tudo
deixei tudo
o caminho
o pai
a mãe
a irmã
os filhos
a mulher
TUDO
um a um
deixei tudo
a paisagem
as flores
as folhas
as árvores
tu__________do!
um a um
gota a gota
passo a passo
deixei tudo
os livros,
as letras
as palavras
os gritos
a voz!
TUDO
deixei tudo
os silêncios
os ecos
as nuvens
o céu
o sol
a cor
TUDO
a musica
o jazzzzzzzzze
a fantasia
a poesia
TUDO
e
entrei
lentamente
na negritude do vazio
devagar
suavemente
não fosse eu fugir de mim

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