terça-feira, agosto 29

bailados

Nos momentos de serenidade, que me invadem, danço com o tempo, e ele deixa-se levar no bailado , a sorrir-me diabruras de criança.

Abraço o tempo  e descompasso-me na harmonia de me sentir silencio...

Danço com ele ao ritmo do olhar, passo a passo no meu tempo.
O meu tempo não é passado nem futuro, 
é instante, 
seja ele qual for na linha do tempo.


O meu bailado, 
em abraço com o tempo, 
não tem direção nem sentido, tem a leveza de me ser entre o horizonte e o voar..

sábado, junho 24

Ilusões

por vezes tenho a ilusão que as palavras pensam e entram ______ qual furacão, sem pedir licença no nosso desasossego ______ só para obrigar o pensamento a libertar-se da prisão do olhar...

segunda-feira, junho 19

tempestades

As gotas da chuva de verão vem grávidas de lagrimas ______ prenhas de um choro de angústias de anjos que se transmutam em pedras. Estátuas de gaivotas perdidas em horizontes que se evaporam em gritos surdos...

domingo, junho 18

navegação

Quando leio, poesia ou coisa outra, é como se deslisasse num Rio. Sem navegação _______ em permanente descoberta no tatuar de cada sopro de vento ... como se a estetica da palavra fosse uma suave ________ sinfonia

sábado, junho 17

nascimento

As minhas palavras não nascem do pensamento ________ nascem do olhar que me foge do pensamento.

sexta-feira, junho 16

a desenhar a alma

Tentei desenhar a alma, nas pedras da calçada. Entre os sons da cidade e dos passos, ela encontra-se nas fronteiras da sombra. Ela bebe-me as sobras que o olhar não vê ... O sentir do olhar é uma melodia sem eco que se diverte no compasso dos passos a saltitar entre as cores do reflexo das palavras que inventa...

quinta-feira, junho 15

esvoaços

para voar preciso _______ somente de uns pés que desenhem sombras e uns olhos que as pintem em aguarelas sem o lastro de fronteiras muradas de angústias....que se verticalizem numa espiral que perfure o centro do infinito...

quinta-feira, abril 13

fronteira




vivo entre a linha do desenho e as palavras que sussurram o suor do sentir.
talvez eu seja apenas este continuo intervalo ( fronteira?),
esta pele,
entre o eu e o que sou...

permanentemente pele,
constantemente sentir,
sem desenho finito ( acabado?),

esboço eterno de mim...

terça-feira, fevereiro 7

duvida



Tem a flor, ou fruto,  a liberdade  de  o não Ser, vivendo  na seiva da árvore?

Será a flor, ou fruto,
nascendo,
outra coisa que não árvore, flor ou fruto?


Ou liberdade de Ser é apenas aquela com que se olha e se desenha o jardim?

quinta-feira, fevereiro 2

tempo ( estados)

Porque me oferece o “tempo”, estilhaços endiabrados de um menino-colorido-em-bibe-de-xadrez-azul, a pintar freneticamente todas as estrelas do céu em mil cores, num pedaço de nuvem que lhe esvoaça no olhar?

Que “tempo” é este que se mistura no horizonte e me atropela o futuro em cada instante do presente e que me sorri nos lábios-dos-olhos?


nota: insisto em desenhar a palavra “tempo” e não “memória”, porque a memória limita-se a bailarinar imagens, mas o tempo , esse transfora-as e dá-lhes vida real que nos travessa o olhar , o sentir e o corpo...

quarta-feira, fevereiro 1

irrequietudes diurnas

A melancolia da noite, invade-me o respirar e mimetiza-se no sangue, como um infinito vazio
(labirinto?)
a anoitecer-me o dia,
que endiabrado e irrequieto insiste em ser permanentemente futuro...


tocar ( sentir ) uma cor

O teu corpo sente-se azul,
o meu,
um nada,
aguarelado de ti,
(em ti).

temos o mesmo a azul a colorir o sonho de nos sermos, 
(eu e tu).


nota:Sentir uma cor é desenhar o que os sentidos formam,  de olhos fechados e encontrar no escuro a suavidade da luz que nos toca e a transforma em sorriso ( “sorriso” é a melhor palavra que encontro de momento para colorir o prazer)

aparição

Apareceu-me o "tempo"...
Assim,
de um nada,
ali estava à minha frente,

(intrusivo,
persistente...)

Parei
a olhá-lo em silêncio,
permitindo-lhe que preenchesse por inteiro a ausência...

Respirei-O lentamente,
como quem degusta aguardente velha
quente,

a evaporar memórias

sábado, janeiro 28

Entre gotas de névoas

As mãos da chuva pegaram-me no silêncio,
Afagaram-no em suspiros de sombras,de névoas  e de sonhos
e elevaram-o aos céus,
para que ele pudesse chorar
e fundir-se no Mar...

domingo, janeiro 15

sem titulo, porque não lhe cabe


Nada do que digo, 
escrevo, 
faço, 
sinto ou penso é definitivo, 
são simplesmente sementes...

quarta-feira, novembro 2

_____ de papel



Zumbe-me no nevoeiro um barco-de-papel que me navega nos olhos, a assobiar silêncios e vento (alísio?),
na bruma,
esvoaça um timoneiro _____(menino?),
sem leme _____( destino?)
voa, na espuma a tactear azuis.
Branco ,______, o papel,
sem letras _____nem mapa_____(vazio?)
Só os olhos sulcam _____( choram?),
ele,_____( o que sonha?, _____navega?),
desenha, ______( moinhos?)
enganado na brisa ,que lhe abraça o sorriso ( esconde?)…
O barco, ( falua?)
voa ( flutua?)
perdido na sombra da lua.
(O destino,
esse,
brinca,
não fosse ele um menino.)
Tudo o mais é papel ,_____ ( deserto?) …
Fosse o barco em folha de outono-que-dança,
tudo o mais seria cor ,
a nevoa ,______mar
e a gaivota,
criança!

domingo, outubro 30

a procura

Quando caminhas não  procures o conforto dos passos,
procura a doçura da descoberta...

In "apontamentos para um manual da serenidade",ou como o importante  é maravilhar - nos  com o futuro.
Sem descoberta não há futuro(s).
Não  multipliques o presente na procura da serenidade...ela, precede a descoberta!
A vida 
(Caligrafia de Mestre George Stobbaerts)

sábado, outubro 1

Sonho

O sonho,
não o nocturno,
ou o que se movimenta nas sombras de um imaginario adormecido,
mas o que antecipa caminhos,
o que desenha o deslumbramento do querer ir para o de lá do hoje,
não  é mais do que a transpiração-da-alma (respiração? )!

domingo, setembro 25

quase fantasma



Não sei o que me faz parar diante do horizonte e deixar que o tempo  se transforme em vento, e o vento em palavras mudas que circulam, lentas, entre o olhar e o sangue-da-alma.
Não sei porque escolho, para me parar de ser, o horizonte-do-mar, ou do deserto.
Simplesmente estatuo-me, e deixo dissolver-me , em voo de gaivota-de-aguarela,
Imóvel,
quase fantasma!
Quando me encontrar, na barafunda dos silêncios do horizonte, vou provavelmente sentir a plenitude da vida que me bebe o tempo...


notas:
sangue-da-alma = fluido que nos percorre o sentir, a emoção ou o pensamento 
estatuar = estado de um homem estátua, que respira p'lo olhar
 
( in dicionário de um aprendiz de palavras mudas)

quinta-feira, julho 28

deslembranças




Não me lembrar do tempo,___________, tem esta vantagem, __________, manter os “olhos” per-ma-nen-te-men-te maravilhados, com a descoberta do espaço,
onde, 
os passos, são todos novos,
a luz é toda minha
e as cores são inventadas dia-a-dia.

nota: um dia vou dedicar-me à analise psicológica das palavras que se soltam e se esvoaçam dos meus sentires, não vá darem-me por louco, inapto para a vida ou outras cousas piores sejam elas inventarem sentires que não sinto , ou desenhos que não se me imaginaram no redor das letras ou no coração dos olhos.
assim passo a explicar o escrito, hoje, só hoje porque o vagar é pouco:
 
Não me lembrar do tempo, tem presumivelmente a ver com o meu estado sensorial de desmemoriado efectivo ( muito provavelmente por efeitos de uma queimadura cerebral de um paludismo ranhoso que se me colou em menino, ou efeitos de uma cabeça-de-alfinete que perdura andarilha entre vasos que me alimentam o pensar e o ver). Dou por mim a espremer-me ( como quem defeca) à procura da minha infância, à procura dos meus sorrisos, das minhas lágrimas e nada, só ecos das vozes de quem me acompanhou os passos, mas sei eu que cada um vê os passos de cada qual de forma vária, cada um desenha conforme sabe e muitos sabem pouco , ou deram-se ares de surrealistas, o que para o caso de quem procura o modelo para perante ele poder fazer o seu próprio desenho é uma tragédia de silencio e de vazios que não se encaixam . 
Por isso , 
ou talvez por isso, 
cada amanhã é uma descoberta infantil que me maravilha o ver. Tal como uma criança que põe todas as cores de uma flor nas linhas que a desenha ( mestre almada), também eu ponho todos os sentires nos passos com que desenho o eu, almofadado na ingenuidade da descoberta de cada dia.

sexta-feira, julho 22

amanhecere(s)


Sento-me,
qual gaivota-sentinela que pousa no varandim da onda, a assistir ao pintar da noite pelo amanhecer, __________, lentamente , em aguarelas-de-luz.

Sento-me ( sinto? __________ desenho?).

Olho o evaporar das sombras, o grafitar das calçadas, a dançar nas paredes das ruas, reflexo de um voar pelo coração das pedras, como se os amanheceres fossem ondas a lavar ( levar?) os silêncios nocturnos.

Finalmente,
voo,

( des)pouso do varandim. 

Vou na luz da cidade, abraçado à alegria-do-sorriso das-manhãs-que-me-desenham-os-futuros.
As manhãs , a esculpir a cidade, rua-a-rua, são o alento que me impele para a serenidade que se funde no ver.


quinta-feira, julho 21

cansado do hoje



Estou cansado do hoje, ___________,cansado do que me coube, 
do que me impele os passos, __________,cansado do reverso de mim, 

dos estilhaços que me disformam as sombras, __________, que me percorrem a pele do eu,___________,

(O eu,
O EU),

ecos de  mim,
sem memórias!

do eu, embebido de vazios ( ébrio das negritudes nocturnas)!

Estou cansado , deste comando que anda,
que me manda,
que me evita,
que me controla,
que me parte
Que me esmaga,___________,os silêncios.

Estou cansado do hoje,
das sombras que me habitam, __________, que me desabitam.

Estou cansado do hoje,
do vazio-de-não-ser-o-meu-grito,
das imagens que não pinto,
das palavras que não escrevo,
que me choram, __________,  que me chovem,
como quem canta tempestades
(des)minhas.
Estou casado do hoje e dos passos que não dou,
estou cansado do hoje  e dos passos que dou,
estou casado do hoje , do estar aqui,__________, vazio!
Estou cansado
de mim.

nota: reflexos de um hoje dominado pela desmemória de me ser!