quinta-feira, novembro 15

alem da pele…( amor?)


Na ponta dos meus dedos estás tu, ( abraçada?) a respirar silêncios e sonhos.
Percorro as fronteiras de ti ( na fantasia do desfim) , linha difusa de um olhar que me deseja e de um corpo que me toca para lá da pele e de mim…

quarta-feira, novembro 14

saudades


passeio, de mão dada , saudades
a soletrar o tempo, em melodias surdas
como quem engana a fome
com pedaços de ilusão
na solidão das noites
sem ti…
Navego turbulento nas ausências
a arar distancias
avido da saliva que me beija
no escuro
com a suavidade do teu corpo que me enlaça
entre as margens doces da alma que viaja
nas madrugadas do futuro…

terça-feira, novembro 13

respirares

olho.te
.
.
.
quando te desenho no ver,
respiro.me em alma-de-nuvem a pairar sob cearas de papoilas…
desenho.te
.
.
.
no escuro das estrelas, perdido na luz das ondas que sibilam a saudade de um beijo ausente…
abraço.te
.
.
.
em pó-de-giz colorido no rebrilhar do rio,
conto o tempo no dedilhar da guitarra que me sorri, corda a corda
em acordes que calam o fado…
beijo.te
.
.
.
e no sentir calmo que me enlaça,
amo, e voo em passos que gravo,
descalço, no mar…

segunda-feira, novembro 12

no silencio das pedras


na melodia das pedras tatuo as tuas lágrimas em moldes de borboleta,
para que a tristeza cante
e se liberte
da mágoa
sozinha,
no pólen da alma
e inventar a poesia da pele
(andarilho do amante)
em suspiros do tempo-d’água
e do levante….

sexta-feira, novembro 2

Prefácio de um testamento...



na minha morte,
há um pássaro,
uma gaivota,
e um mar perdido nos horizontes.

(há vento,
em sussurros azuis,
a cantar…)

na minha morte,
há uma flor,
uma!
uma só,
rubra,
num labirinto imenso de verdes…

na minha morte,
estou só eu,
e os outros todos que me desenharam nos olhos o sentir,
todos eles a esvoaçar (dançar?) nas velas da nau catrineta...

ao fundo, .entre instantes ( fugidos do tempo)
há uma bailarina cigana,
saltimbancos ( muitos )
e um palhaço
que nunca quis ser pierrot ou arlequim,
mas nunca conseguiu deixar de os ser
aos dois,
num,
só ( pintado por negreiros!).
sim! na minha morte há um quadro de almada, 
de linha infinita, a desenhar o universo ,
como só ele sabe.

a única linha infinita que conheço é o circulo,
onde cada ponto é começo e fim simultaneamente,
sem matemática.

nela, (na minha morte) não há matemática nem filosofia,
porque a vida que me correu no ver, andou sempre sem uma e outra, 
perdida na poesia.

na minha morte há um menino( de cabelo negro-lazúli , quase índio),
um só que me diz adeus,
escondido entre as pétalas da papoila,
a sorrir ao ver-me ( finalmente) partir.

esse ( menino)ficou  ali  entre os verdes e a papoila, eternamente rubra, a olhar o universo e a desfragmentar o tempo em tons de (a)mar…

na minha morte há um silencio a marulhar serenidades... ( saudades?)

talvez, mas essas ficaram tatuadas nos olhos do menino  ...

( escrito, ou desenhado durante o concerto de hoje dos amor electro no coliseu dos recreios!)

quinta-feira, novembro 1

cores de bailarina


sonho
(na ingenuidade do dia que amanhece nas estrelas da noite)
hermético, na escuridão da rocha,
gravo azuis rubros na memória,
estátua de menina, a correr solta entre sorrisos e lágrimas
(cristais de rosa,
ungidos na noite que abraça a fantasia)
fraga que evapora ternura, num beijo que me afaga
( frágil?).
sonho,
(onda? , vaga?
falua, que me abraça, em olhar nocturno. vagabundo?)
bailarina minha,
colorida na suave melancolia da saudade que esvoaça…

segunda-feira, outubro 29

no teu desenho

desenho o céu incolor (que mania esta de desenhar tudo o que sinto).

nele,
pintei.te.
de cabelos soltos e de olhos a brilhar ternura por existirmos,
como se todo o azul do mar fossem furturos…

sábado, outubro 27

sexta-feira, outubro 26

no silêncio, sem ti

No silêncio da serra,
oiço-te, mar,
na humidade das nuvens, em sussurro de amantes,
abraço, esta solidão na saudade  ( nua), de te ter misturada em mim,
sem me saber no eu,
preenchido no olhar sublime da tua boca e do perfume das flores-semente,
na combustão lenta da saliva-do-tempo,
que me foge...

sexta-feira, outubro 19

quando o mar trina, (só), risos



Desenho o teu sorriso, com pó-de-nuvens,
escondido no sonho de não me encontrar em mim..

Já não sou…

Sou mistura em ti.

Tacteio teu corpo ,
(aventura de sentidos, 
vento de búzios perdidos, que trinam o horizonte e o futuro),
beijo-te o riso-perfume,
(águas de rosa-mar,
guitarra-andorinha)

colorido na agridoce dor de amar…

quinta-feira, outubro 18

toco.te

Toco.te,
na ausência do corpo, nas fronteiras da pele, castanho mel,
na doçura do de um sorriso.
(Do teu sorriso).
Toco,te ,
tatuagem rubra, flor do mar.
Toco.te,
em embalo de amante no segredo de um sentir sem acaso,
na ocaso das noites.
Toco.te,
sem a ansiedade do sol, à descoberta  dos afectos que me absorvem de perfume.
(Do teu perfume).
Procuro.te,
na luz das estrelas,
no sopro das árvores,
nos olhos das nuvens.
Toco.te,
no labirinto dos corpos que se falam em sussurros,
em alimento que se desnuda
no prazer de um beijo.

sábado, setembro 15

15 de setembro ( se me perguntam?)

somos,



pequenos nadas,
vazios,
formigas,
que gritam a indignação de serem números,
gráficos ,
lagrimas secas,
indiferentes,
rio de ecos,
vozes soltas,
angustiadas de cinza nos olhos,
nos ossos...

sabemos
que somos,

fim de era, de ciclo e gritamos, de sorrisos ausentes...

somos,

fragmentos,
estilhaços,
ruinas que se rebelam, que se agitam revoltas,
formigas gaivota
que se libertam
no protesto de quererem ser um, 
na multidão, 
com nome, 
com olhar, 
com sentir
gritamos o amanhã de nos sentirmos presentes,

foz de um rio,
sem mar...

quarta-feira, setembro 12

vazio(s)



oco
de palavras,
de sons (ventos?)
de sentidos…
no entanto
vejo, em tons de azul,
a sombra
que se afoga
no chão-de-mim!

terça-feira, setembro 11

agrilhoar a luz



guardei a luz, fecundada,
num grão de pólen,
à espera da noite
para não se perder
nas cores mastigadas
da terra
( sêca de  sonhos! )

segunda-feira, setembro 10

(des) manhãs



acordei da noite  (distraído) a contar sombras,
entre a cor e a ilusão de me sentir, real no sonho ( pigmentos da memória?)
e perdi-me nos contornos do labirinto,
qual palhaço desbotado a saltitar no desenho dos ventos...

aro, (a terra-dos-deuses?)
com sementes de pó,
pequenas estrelas
que fecundam o vento-das-manhãs...

trabalho insano, este de me fingir na noite, ébrio da nascente-do-tempo...