segunda-feira, dezembro 8

colorações

Colori o desejo de um desenho , de voar livre sem linhas , entre os sonhos que se desenlaçam no canto da alma, e por ali fiquei
(eu e o desenho),
entre as páginas de um livro, a viver a poesia de ser cor e desejo
(sem labirintos nem fronteiras),
Estilhaços de espelhos que vagueiam nos olhos de uma flor que conta histórias de fantasia ás crianças que se escondem nos fragmentos do luar...

quarta-feira, outubro 15

O criado Secreto

Daniel Silva


Os livros de Daniel Silva e do seu agente secreto / restaurador de quadros, israelita , tem uma actualidade e um pragmatismo que obriga o leitor a reflectir sobre o mundo geopolítico que o rodeia. Apesar de não conseguir ser neutro, na análise, Daniel Silva escreve com uma frieza arrepiante. A indiferença com que são descritos os atentados terroristas em Londres, é arrepiante . Tem o mérito de ter criado um anti-heroi, que nos obriga a reflectir até que ponto é legitimo lutarmos pela sobrevivência de uma cultura, de nos organizarmos de forma a expandir a nossa hegemonia perante outras culturas. É um livro que convive com o fanatismo , da mesma forma que também nós passámos a conviver com esse fundamentalismo e nos habituámos a ele sem o questionar, sem o combater. Este livro é uma fotografia dos sobreviventes, sejam eles quais forem, usem o método que usarem...

domingo, agosto 24

sem.jardins

Percorres.me o corpo, como seiva que alimenta o sonho, quimera de luz e sombra, que me abraça…

Esqueço o caminho, esqueço tudo e transformo.me lúcido em lágrima, doce,
Onde estás?

Iço as velas, em bolina e vou sem sentido,
cego de mim e levo.te,
Oiço o vento,
Que se desfaz em onda.sereia,
Violento…

Nesta teia
para onde vou…

sábado, agosto 23

flor rubra

Desenho.te,
cabelos.ebano aos ventos de mar, aqui e ali ondas de vida, Doce canela que esvoaça em mim…
Sonho.te no sorriso da noite, na noite dos corpos.
Toco.te, nuvem de seda, que me bebe, ébrio de ti…

e ali, no horizonte, sopro o pólen do arco íris,
(Quadro azul …
Cicatriz
ardente)

Desenho.te no perfume silvestre ,
Flor.rubra
ausente

sexta-feira, agosto 22

viagem incolor, em tons de azul.rosa

Procuro.te no vazio de mim, como nau perdida, sem estrela do norte, nem cruzeiro do sul,
Só a solidão me chama,
qual farol de sombras, caiado de azul...

quinta-feira, agosto 21

em tons de rosa.sangue

Um vazio cor de nada abraçou.me, quebrou.me em estilhaços de sal.
Olho o mar,
pastor de ondas e de estrelas sem cor.
Arvore de dor, que me enlaça,
.
.
.
.
.
.
.
incolor...

segunda-feira, agosto 18

segunda-feira, julho 28

Millenium - os homens que odeiam as mulheres

Stieg Larsson
Oceanos
Os homens que odeiam as mulheres, é mais que um policial, na verdade nem policial é uma vez que todas as personagens intervenientes nada querem com a polícia. Na essência é um retrato da nossa era, em que o poder, orienta os passos do indivíduo e da humanidade ( nossa era?...). Realça de uma forma crua a decadência moral em que os meandros do poder circulam, criando teias de interesses com o anuência dos governantes.
Impressionou-me que esta história tivesse origem na Suécia. Julgava que o tipo de perversão relatada por Stieg Larsson, seria de todo improvável acontecer numa sociedade que para nós latinos é vista como civilizada e padrão de organização social a seguir.
As denuncias de Larsson deixam-nos, a nós cidadãos comuns, indignados pela forma como somos, afinal, peões do poder que está quase sempre distante do poder fictício de quem nos governa ( o verdadeiro poder, esconde-se e actua na sombra e é uma teia em que o aracnídeo dificilmente tem rosto).
Ao terminar este inquietante retrato da nossa sociedade, apeteceu-me pura e simplesmente agradecer ao autor, (com um bater de palmas, de pé e emocionado) que infelizmente , (por acasos do destino, ou por enredos que se advinham face ao seu próprio percurso de jornalista activista), não pode estar presente para assistir ao sucesso que a sua breve obra literária teve. Mais que um policial , é simplesmente um ACUSO, escrito com alma e com coragem!

O homem lento

J.M Coetzee
Publicações D. Quixote

O homem lento, é infelizmente um homem dos tempos modernos, que vive no paradigma do século XXI, onde a intercomunicação entre cada um é uma presença em tempo real, independentemente do espaço, mas onde a solidão nos atropela e quase pára o tempo, porque viver a solidão emperra o desenrolar da vida…
Este homem de meia idade, é literalmente atropelado, ficando dependente de terceiros. A solidão provoca dois efeitos antagónicos neste homem, a vontade de se dar e de amar, como se o amor fosse uma bóia que o mantém, na tona da vida, e a revolta de se sentir incapaz, que o anti - socializa com o mundo. Coetzee aborda o complexo tema da eutanásia e do suicídio, com uma subtileza que nos obriga a reflectir sobre o nosso próprio livre arbítrio.
Coetzee, cria uma interligação entre o escritor ( através de Elizabeth Costello, também ela personagem mas que se subentende ser o próprio Coetzee) e a personagem transportando o leitor para a linha mágica que delimita a fronteira entre o real e o imaginário que nos prende até á ultima página.

terça-feira, julho 22

Estranha Forma de Vida

Caros Ademar
Os ventos das férias leva-me normalmente para dois tipos de leituras, a leitura do divertimento, ( normalmente policiais) ou a "pura literatura" ( sei lá eu definir o que isso é...) que exige mais tempo e dedicação no prazer de ler. O livro de Carlos Ademar enquadra-se no primeiro tipo.
A trama é do nosso quotidiano, daquele que nos invade a casa entre as notícias de futebol, e que afloram a corrupção, a violência o trafego de sexo e a marginalidade que infesta de cinzentos os nossos tempos...
Curioso o facto da publicação deste romance ter acontecido muito antes do surto de violência entre os seguranças de discotecas que foram manchete jornalística há bem pouco tempo.
Arrojada a denuncia, audaz a história que descreve o dia a dia dessa marginalidade camuflada na “alta sociedade” ( sei lá o que isso possa ser, mas entenda-se como sendo o estrato social que vive obcecado pela luxúria), impune muitas das vezes a manifestações de riqueza perfeitamente obscenas numa sociedade que se pretende justa e equilibrada. Os esquemas das drogas, das armas, do tráfego de influência, da pressão sobre a justiça, está retratado nesta história, que peca por não ir ainda mais longe na denuncia.
Não se percebe bem a necessidade na trama do livro, do último capitulo. Os acontecimentos são suficientemente narrados para ser necessário repetir passo a passo os acontecimentos. Não é um romance policial, pois aqui a policia e os investigadores não interagem de forma persistente, a história conta-se praticamente sem eles.
Soube a pouco, mas mantem o interesse de aprofundar o conhecimento do autor, pelo que se seguirão certamente outras leituras deste nosso investigador judiciário.

quarta-feira, julho 2

instintos indestintos

Esta minha ausência de tempo-memória empurra-me para um abismo incolor. Coloco etiquetas a cada cousa única que me abraça o sentir e dou-lhe um nome qualquer.
O Importante não é o nome, mas o impulso de o gravar.
É no impulso que se concentra a libertação do sentir, transformando o instinto de Ser, na essência de Existir-no-Ver

terça-feira, julho 1

domingo, junho 29

Venenos de Deus remédios do Diabo

Mia Couto

Entrar na escrita de Mia Couto é mergulhar no mais profundo de nós, no mais profundo dos nossos medos, das nossas incógnitas. Nos romances de Mia , a morte tem vida própria e coabita na nossa pele como se fosse uma presença familiar. As raízes tomam vida e omnipresença com uma densidade poética que nos arrepia. Somos impelidos a retirar do romance dizeres e falares, como quem colhe uma flor para colocar numa jarra e a ter sempre de fronte do olhar. Por minha vontade transcrevia quase o romance inteiro…cada frase é um hino à palavra e à poesia .

abrindo o livro ao acaso....

“- Leve-as, fique com elas, meu caro Doutor. As fotos fazem dos parentes peças de mobiliário.
- Ora, Dona Munda…
_ Além disso, essas fotos não me pertencem.
- Não entendi: essas fotos não são suas?
- Eu é que já não sou dessas fotos. Tudo isso aí é de um tempo que já morreu, a gente fica menos vivo só de entrar nessas lembranças."

terça-feira, junho 24

AvóDezanove e o Segredo do Soviético

Ondjaki
AvóDezanove e o Segredo do Soviético

Uma estória contada por crianças, de um país criança, invadido por gentes e costumes, num labirinto de sentires que (des)explodem em sal. Cada frase é um poema que nos transporta para a ingenuidade do existir. Escrito num linguarejar "afrotuguês" , vem demonstrar ( com a simplicidade arrepiante da poesia contada em estória) a estupidez cega de um acordo ortográfico que tenta matar o que de mais rico a fusão do português no mundo produziu , a mestiçagem linguística .
Ondjaki , como tantos outros autores Africanos transforma a poesia em emoção. Mais do que a estória contada pelas memórias de uma infância, que coabita com a fantasia, esta narrativa da saudade de um marazulindo, fica gravada e empurra-nos para o sonho, no qual somos atropelados pela força da pureza da ingenuidade das crianças que num país manchado de sangue e fomes, ainda conseguem sonhar e sorrir…
“ – Estórias do antigamente é assim que já foram há muito
tempo?
- Sim filho,
- Então antigamente é um tempo, Avó?
- Antigamente é um lugar.
- Um lugar assim longe?
- Um lugar assim dentro.”
in AvóDezanove e o Segredo do Soviético

sexta-feira, junho 20

pausa de mim

bebi, ébrio a cor da noite e deixei adormecer o sonho, como quem morre dentro da alma e se transforma no marulhar dos búzios...

quinta-feira, junho 19

Des.raiz.ar

VOA!
( disseram-me!

Pediram-me?)
A palavra ficou esbatida entre os passos, a tentar encontrar sentido, como se fosse um botão de flor…
( um botão de flor , é quase flor, é uma flor que se esconde da cor…)
Ando confuso
(difuso?)
mergulhado neste labirinto de me ser muitos.
Encontrasse eu o ponto que me une na incoerência de existir e seria uma simples gaivota sedenta de mar e de azul
( branca de onda)…
Descobrisse eu o que se esconde na sombra e saberia qual de mim olhava o horizonte, qual de mim voava para lá do ocaso
( ao acaso?
sem madrugada?)
Porque insisto em desenhar horizonte em forma de caravela?
( alada?)

quarta-feira, junho 18

sou ( qualquer coisa)

Queria ser poeta, andar por aí a esvoaçar-me e a beber o nada,
pousar em cada coisa e não lhe ser a palavra,
mas ir
vagabundo,
sentir de olhos fechados,
(como quem mente de olhos abertos...)
e acreditar que sou o que sou,
pedaço de nuvem,
estrela,
gaivota,
palhaço,
colibri,
bailarina,
cavalo selvagem,
imbondeiro,
aragem,
bolero,
índio,
poema,
feiticeiro,
arlequim,
pó do universo,
fantasia,
sol a nascer,

ou vento…

Que importa o que sou, se sou tal qual cada coisa que me extasia o Ver…

terça-feira, junho 17

(des). explicações


Tentaram explicar-me o vento.

Para quê? Porquê? Que despropósito!
Eu, que não procuro a explicação da vida e que a concentro num único ponto, abandonado ao acaso, para que quero a explicação do vento?

Basta que me leve no sonho de não me descobrir , para que não me roubem a liberdade de me sentir gaivota!


voar nos azuis
Madrid
Maio 2008

segunda-feira, junho 16

(des).existir

Desenho-te , na harmonia de uma dança , como se fosses uma borboleta-de-sons,
Desenho-te, sem lápis, sem cor, no vazio de mim…
(Só assim existes, entre o olhar e o sentir, como folha de Outono a cair…)

domingo, junho 15

duvidas

A paisagem que invento é tão diferente daquela que me entra nos olhos e no entanto ando entre uma e outra sem saber em qual delas a cor é autentica.

quarta-feira, junho 11

no desenho de uma rosa

Desenhei uma Rosa, como quem respira ventos do mar
( que sentes tu quando os respiras?
Eu?
Eu sonho…
É sentir , o sonho? )

Parecia uma pomba-de-picasso,
Mas a minha,
dançava e ria,
dançava e ria
(até fugir do papel em mil acrobacias…),

desenhei uma Rosa,
quase nuvem,
quase céu,
que voava
(quase gaivota)

e ria,
ria…
Desenhei-a de uma só vez numa só linha…linda!

segunda-feira, junho 9

ecos?

Que solidão é esta que me entretêm a ouvir.te, a ti que te escondes em mim? que me leva a passear.te de mão dada na praia e ouvir os ecos dos teus sorrisos, em névoas de horizontes?

Que solidão é esta que me impele a agarrar a noite e pintá.la com as cores que me segredas aos olhos, cores que nunca vi?

Que solidão é esta de me ter esquecido de mim?

Ah, como eu gostava que os espíritos da memória me sussurrassem tudo o que eu sou, tintim por tintim…

(Se eu fosse futuro queria tanto ser Raízes!!!!)

domingo, junho 8

oiço.te

Antes de terminar o amanhecer, Oiço.te, deixo.te falar, da mesma forma que consinto que a minha sombra me siga, alheia ao meu olhar.
A sombra não sente e tu és indiferente ao destino, Sei que me olhas desconfiado, Sei que não me acreditas, simplesmente porque tu és a ilusão-do-vento-que-se-recusa-a-sonhar…sei que sou apenas o que resta da sombra e que a sombra é o que sobra do sentir , A cor, essa tenho.a guardada no Ver e alimenta.me a esperança de ser mais
(autentico?)
do que me vejo no sonho.
Oiço.te antes que a manhã se desvaneça no mar para não me enganar nos futuros…

sexta-feira, junho 6

não resisti

des.encontros

De vez em vez espreitas-me
( interrogas-me?)
como se fosse eu a criança, mas escusas de te rir assim
(que nem mil-meninos-a-brincar-à-cabra-cega),
Escusas de correr atrás de mim, como sombra-colorida-do-saltimbanco-arlequim, Eu estou aqui e tu aí, nada de confusões, não me impinjas o tempo que não vivi, não te coles a mim, Podes ficar aí, a olhar-me que não me assustas, podes mesmo ficar aí para sempre a assobiar que nem um pastor-de-primaveras, eu vou agarrar num seixo redondo e fazê-lo saltar no rio como se soprasse a saudade de Ver o reflexo dos teus olhos, Vou por aí sem vontade de voltar, a rir, a rir de mim, não das brincadeiras que perdi, não dos sorrisos que escondi, Agora tudo é meu, Podes ficar aí, Sim podes adormecer ou lançar o pião, sonhar ou sujares-te todo no chão, podes até montares o cavalo de madeira e ires também Tu por aí, leva tudo, tudo, mas não me empurres assim!

quarta-feira, junho 4

no retomar dos passos

Retomo o Tempo, como quem olha sem fuga o instante.

O instante ( momento em que o presente devora o futuro) é uma “partícula-do-tempo” que é simultânea em qualquer ponto do Universo…
Dois instantes consecutivos de tempo é que diferem, ao ponto de se tornarem únicos…


Imagina-te um ponto!

Um ponto é sempre centro, e nele ( rodando) consegues Ver tudo! Mas sempre que rodas só alcanças um instante de cada vez…
Se saíres do centro, consegues Ver todos os instantes, num só! De uma só Vez!
No entanto, levaste o ponto contigo ( perdeste o Centro!)…

É nessa deslocação de pontos, de instantes e de acasos que constróis o teu caminho…

in "apontamentos para um manual da serenidade" ou como devemos estar sempre disponiveis para nos diluirmos na harmonia de sermos em simultaneo, infinitamente grandes e pequenos, sem nunca perdermos o UM que nos une os instantes...




( rodar = circular = viver)

sexta-feira, maio 9

o quase fim do mundo

Pepetela
Publicações d. quixote

O que me atrai em Pepetela, para além da sua escrita inconfundível é a forma como as histórias de África nos entram na alma. Sejam quais forem as personagens, África está ali. Corre-lhe nas veias e na tinta. Os seus dois últimos livros fogem no entanto a “esse” PEPETELA, a "essa" África. Compreendo que um autor tente mudar de espaço e de sentires, mas o autor também deve entender ( o autor que escreve e fala com o leitor como é o caso de Pepetela) que por vezes o leitor se sente desenraizado nestes novos cenários. Este “o quase fim do mundo” , é em África sim, mas podia ser em qualquer ilha deserta onde meia dúzia de náufragos, foram ter desamparados pelas ondas. Pepetela coloca "meia dúzia" de humanos e um cão sós no mundo. Num mundo desaparecido ( pelo fundamentalismo religioso e racial), onde só o reino vegetal e os mortos do antes da “coisa” têm cabimento. O fundamentalismo está na génese deste (quase) fim do mundo. Um fim do mundo incongruente, mesmo num romance literário. È um enorme risco para um autor, inventar um destino para o fim do mundo, deixando um sem fim de respostas por dar, tornando o cenário onde as personagens se movem, inverosímil ( não é intelectualmente possível imaginar um cidade ficar num instante sem seres vivos, sem que aconteçam acidentes graves…explosões, fogos etc etc.. e tudo ficar intacto. A natureza tem movimento para lá da existência da vida biológica… (o autor esqueceu esse pequeno pormenor universal).
A meio do romance , há no entanto um frase que me deixou incomodado , porque revela um fundamentalismo racial, que não se enquadra na imagem que tenho do escritor, como artista literário e “pensador sociólogo”, foi o de atribuir ao colonialismo europeu, o facto das tribos africanas se tatuarem conforme os seus grupos raciais, para o colonizador mais fácilmente os distinguirem. É um delírio anacrónico e antropológico que me desgostou.

segunda-feira, abril 28

nos (a)braços do tempo


No desenho não há arte,
( a arte está no tempo)

a linha esconde a ansiedade do sentir
e é ele
( tempo)

que a desenrola no papel e na cor…
O desenho, é assim
( nos meus olhos de hoje)

uma lágrima que se esculpiu em poema
e fugiu
(ao poeta)

para ele se libertar da cor que lhe estrangula o respirar e o ver...
( dor?)
Essa fuga,
essa lágrima,
esse desenho,
é construído nas linhas do tempo,
( abismo?)
pois só ele sabe transformar o caminho em cor…
tudo o que se vê no desenho,
mesmo que incolor,
é puro sentir
( amor?)

domingo, abril 20

sem tela

Nos braços-sombra
( de uma árvore-anjo)
desenho,
( sem tela)
uma linha comprida
( sem centro)
paralela…
( entre mim e ela)
Em cada um dos pontos
( passos? estrelas?)

vai um barco-á-vela…

Adormeço
( quase menino, quase índio)
empoleirado,
divertido,
na linha ténue que me separa do sonho de dormitar nos braços dela…

Subo com o vento
( gaivota?)
ao ramo mais alto
( sem volta)

e salto…
( é arvore-anjo que importa se caio …)
voo,
na linha que desenho
(paralela)
entre mim e o deserto…

Lá no longe, está ela
( índia? cigana? )
a colorir o quadro sem tela…

terça-feira, abril 15

por dentro

Procura te no abismo, Deambula no nada e lá redescobre o equilíbrio !

In “ apontamentos para um manual da serenidade", ou como, quando confrontados com o abismo, somos levados pelos ventos-da-alma, a reinventar o horizonte-do-olhar

domingo, abril 13

re-escrever

disperso,
cada letra
( uma a uma)
para reinventar a palavra
disseco o som-da-morte-à-espera-do-sol-e-da-semente
e desenho
raízes…
oiço cada uma
( palavra)

árvore invertida a desfazer-se no rio,
( rio-me)

a névoa grita-me, a crepitar palavras-palhaço
( aflita)

e pinto-me
( de novo...)

sábado, abril 12

o esquiço da tristeza

Fecho os olhos à procura de luz,
(vasculho o vazio,
a bruma,
a névoa…)
numa viagem ao mais autentico que tem o interior de uma lágrima
(chovem aguarelas, do esquiço profundo de mim…)

…é assim a tristeza…
(sussurra o eco de Ti)

terça-feira, abril 8

preencher vazios

Percorro-me com a lentidão dos passos e dos olhos, e vejo cada um de mim,
fragmentos inteiros de cor...
Reflexos brancos,
Vazios…

É o sorriso
(de me saber cada um)
que me desenha a sombra…

terça-feira, abril 1

de que lado do corpo?

Descansei os olhos e o corpo,
como quem se senta ao lado do sonho,
sem conversa nem olhar,
até sentir a seiva da sombra a tingia-se do meu sangue, No fim

( no mar?),
espreitei,
como quem desenha

( só para si)
a “alma-do-corpo”*
e procura o verbo amar…

_________________________________________________

*“Alma-do-corpo”, foi-me dito

( escrito)
por zabel,

(ao canto de um livro),
é diferente do "corpo-da-alma", mas eu ando confuso entre os lados do corpo em que coloque a alma e nem a arvore me disse, nem a sombra me sussurrou, porque anda por aí a minha alma, sem lado reservado no corpo?…terá ficado nas raízes da árvore? No horizonte do sonho?

quinta-feira, março 27

o salto

Distrai-me! Acordei com os olhos-do-amanhã…
( logo eu,
que ando sempre perdido no tempo e nas desmemorias,
a saltitar qual acrobata em fio de cetim)
Surpreso, dei comigo a viver o que não me pertencia, mas a nuvem que me levou,
luzia,
( azuis-de-mim)

Se a não seguisse, perdia-me…

Ah, como é bom sentir-me no quadro,
pintado de Arlequim!

Decidi! Fico aqui!
( nem perto , nem longe,,,,Aqui! Sem Hoje!)

quarta-feira, março 26

Lavagante : encontro desabitado

José Cardoso Pires
Edições Nelson de Matos

Sendo um diálogo entre dois amigos, é na verdade um monólogo de um homem solitário, que se passeia na memória, entre os fumos e a bebida, degustada com a lentidão que só a solidão sabe imprimir. Sente-se essa lentidão, vive-se essa solidão...o narrador não consegue esconder como sendo sua…Sem darmos conta, sentimos José Cardoso Pires a passear-se só entre a névoa dos bares, sentimos o odor do tabaco e elevar-se em nuvem , e sem darmos conta aperta-se o coração de saudade, de um Cardoso Pires, Inteiro, Real, A contar-nos as suas, e as nossas histórias
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segunda-feira, março 24

ilha ( moçambique)

O som da memória,,,canta-me

( histórias?
Ao longe…violinos-de-chopim…)
fragmentos,
pequenas estrelas,
filamentos de prata,
preta,
branca,

Em terras-do-indico…

Há um mar à janela,
(Oiço?
De longe…flautas de pan…)

e velas
(Açafrão, caril?)
na Estrela do sul,
( ilha?)

AZUL!

quarta-feira, março 19

no desenho do tempo

O vento, é o meu silêncio a acordar-me
e eu,
vou com ele, libertino a navegar,
( devagar…)
entre o eco…
( o eco, sou eu a falar?
É a minha memória a desenhar?
É o reflexo de uma bailarina cigana que passou por aí sem me olhar nem sorrir, a luzir numa lágrima de árvore que se despenteia ao luar?)

Oiço-te,
( canta,,,? A memória do tempo?)
e pinto-te. Real
( como uma águia,,, A voar…)

domingo, março 16

searas

ceifo, searas-de-sonhos,
decepo-os, disseco-os e ato-os,
em laçadas-de-sol…
(ilusão?)

incomodam-me
(vestidos de cores que me enfeitiçam e me sopram ventos-do-ali…)

ceifo-os
com foice-lágrima e mergulho-os em mim,
( de raiva)

só o índio-de-cabelo-azul,,, persiste,
só a gaivota,,,existe…
(a criança ri!)

e o cavalo?
e o cavalo?

( foge

em galope

op-op...

crina-de-porcelana,
branca,

sonho?

de madeira, veloz de
ventos...

op-op

alísios?)

e eu?
e eu?
papagaio de papel a voar…
ceifo, o cordel
seiva-de-mim
a vaguear…

segunda-feira, março 10

silêncios ao fundo, diluidos...( esquecidos?)

Mastigo o silêncio no palato-mortalha de mim,

oiço os caniços e o vento,
(como um marinheiro que procura a estrela, para lá do fim…)

escuto a guitarra-cigarra-que chora,
Cidade-véu que me atordoa e me engole sem fado...
( susurrando baixinho,
vai e-m-b-o-r-a . . .)

Homem alado, perdido na ilusão
de não ser Homem-multidão...

O silêncio rói
e o que sinto,
( trovão)
espraia-se diluído no infinito,
como um búzio esquecido
no eco de mim...

Atlas das nuvens

David Mitchell
Publicações D. Quixote
Andei durante mais de dois meses a namorar o “atlas das nuvens” , passava por ele, olhava-o e imaginava-lhe as histórias que guardava. Assim se passaram os dias. Ao fim de poucos, tinha já um caminho traçado para o livro, “Será o próximo!”
Não foi! Outras leituras ocuparam-me a prioridade e mesmo já depois de adquirido e colocado na prateleira dos livros a ler, aguardámos até agora, pacientes, ele e eu. A história que tinha para ele, desarrumou-se e desfez-se nas primeiras páginas … lentamente , surpresa a trás de surpresa fui bebendo as quatro histórias que se deslaçam pelos séculos da humanidade, passada e futura, num vertiginosa viagem pelo tempo. Escrito com uma mestria invulgar, senti que estava a "ver "um livro de banda desenhada, criada por dois dos mais profícuos autores franco-belgas, François Bourgeon (Passagers du vent ou Le cycle de Cyann) e Moebius (sobretudo na sua saga do Incal).
O enredo, ( os enredos, em que os acasos costuram as várias tramas que se vivem e tempos diferentes ) traça um retrato da humanidade e da sua evolução, obrigando o leitor a rever vários conceitos sobre si próprio e do seu papel nesta enorme torre de Babel e sobretudo obriga-o a questionar-se sobre o efectivo significado da liberdade e do livre arbítrio, quiçá eternas quimeras da humanidade…

domingo, fevereiro 17

desenho de um menino-a-chorar

Desenho um oásis de sangue,

Púrpura
Sem azuis-de-areia-que-arde-de febres-e-de-sedes…
Só o vento vive
bebo-lhe as lágrimas, repiro-lhe o mar,
e voo ,
raso na sombra,
à procura do que fugiu de mim a sangrar…

sexta-feira, fevereiro 15

A Morte de Ivan Ilitch

Lev Tolstoi
Publicações Dom quixote
Booket

O acaso tem-me conduzido à leitura de vários livros onde a morte se centraliza nas palavras. Acaso, reforçado porque tenho tropeçado nos últimos tempos sobre o “sentir da morte, a nossa ou simplesmente a que nos atormenta.
A abordagem que Tolstoi faz sobe Ela, é magistral, transformando-a, ou melhor, mascarando-a num Ser, ou numa semente que germina em nós, que se apodera de nós, que vive em nós, até que ela própria, morre.
A morte entra em Ivan, através de um acaso( como gosto das abordagens que partem de uma casualidade fortuita…). Uma simples queda, que chega a provocar exaltação ao protagonista, por se sentir ágil e jovem, permite que a semente da morte germine no seu corpo e o corroa lentamente, até que lhe toma os sentidos, o sentir ( escrevi há uns anos que a morte é deixar de sentir…). Por fim, morre, a própria morte.
Se Ilich morre ou não, é secundário, o importante é que ele se liberta dela. É este percursos narrado, com a angustia da solidão que transforma esta pequena novela , num genial texto literário sobre o ciclo de vida da Morte.

domingo, fevereiro 10

palavras, soltas

Prego as palavras, ao céu
uma a uma
desordenadas
( como as estrelas)
não cintilam,
derretem
aos pingos
letra-a-letra

( o céu é uma árvore de palavras por escrever,
os sonhos, os seu ramos,
as estrelas , os olhos!)
fecho-me no quarto. só.
cada palavra que me foge, é um janela,
em cada uma
(estrela?)
há um mundo inteiro que me atropela e que se diverte a esculpir-me…
Sou estátua de palavras…


( segredadas ás estrelas que tocam violinos , guardadas nos búzios
que marulham nos reflexos da lua…)

sombras

Abracei-me à sombra da árvore,
a ouvir o tempo...
como se chovessem dentro dos olhos, gotas de silêncios…

sábado, fevereiro 9

desenho?

Escrevo,
o teu seio
(sem desenho, traço ou cor…)

estilhaçado nos sentidos,
perdido na teia que tece o desejo,
( dor?)

é tudo o que me sobeja
do teu seio
que escrevo no silêncio de um beijo…

segunda-feira, fevereiro 4

Iludir a noite

Sento-me,
na solidão da tarde
a imaginar o sol..


Ambos,
Longe
A tarde e o sol…
Entre mim e o sol há uma noite...


( semente ?)

que canta
sem acordar,
entrelaçada no tempo e no vazio…

(Chovem voos de gaivotas de uma nuvem de cristais…)
Deixo-me gravar , pesado na areia
a imitar os dias que sonhei
a ouvir destinos-sem-ida ...

porque estou ali?

(Não sei! Tu, sabes? )
Estás a respirar o tempo,
embriagado no acreditar que vais,,, abraçado à vida!

quinta-feira, janeiro 31

Se voasse, não feria o mar

A morte é um eco a espreitar ao longe
( é a nossa própria voz a perder memórias, num gemido esquecido que nos
abraça os silêncios…)
Repete-se
escondido
a esvoaçar, deselegante nos vazios
( como o voo do morcego)
Por vezes vou com o eco de um navio-sem-velas-a-ferir-o-mar…
Se voasse,
podia ir, sem o ferir, sem o sangrar de sal,
como uma onda perfeita,
a espreguiçar-se de horizontes,
ao sol…

“quando morreres pede que te fechem os olhos, para te veres na vida, todo
por dentro”
Disse-me uma gaivota que se balouçava na onda e no vento…




(ou seria o eco?)

quarta-feira, janeiro 30

O animal moribundo

Philip Roth
publicações D. Quixote


O animal moribundo , é o retrato da continua decadência do homem como individuo, que só perante a morte parece encontrar motivo de percorrer em introspectiva o caminho que pisou.
É acutilante e frio o retrato de um professor universitário , obcecado pelo sexo, num egocentrismo verdadeiramente decadente. Virada a última página deste curto mas incisivo romance, fica a angustia de nos sentirmos rodeados de uma hipocrisia demasiado humana. Olhando para trás e para o hoje, fica a certeza que o homem evolui no seu próprio declínio . Animal eternamente moribundo , seria o titulo que mais se adequava a este retrato de uma sociedade que insiste em navegar sem rumo.

segunda-feira, janeiro 28

arvore de mim

Tenho esta mania
( louca?)
de me ouvir através das árvores

( O eco, da sombra?)
Só no embondeiro me sou autentico,

( mistura de terra e semente a abraçar o sol?)
Sou uma gota

( lágrima?)
Que bebe a terra em suor, com sedes de tempo, a crispar o fogo das memórias

( como um búzio perdido na areia a esconder os suspiros do mar…)

Oiço-te

(Árvore de luares ocultos?)

Eco…

( vultos?)

Oiço-me silêncios…

…têm sombra os sons do meu respirar….

sábado, janeiro 26

idades cidades divindades


A primeira vez da idade

A vez
que tive mais idade
foi aos cinco anos

Meu pai,
com solenidade que eu desconhecia,
perante seus superiores hierárquicos,
apontou e disse:
- Este é meu filho!
E deu-me a mão
coroando-me rei.
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quinta-feira, janeiro 24

uma primavera noctívaga, em tons de inverno

Amanheci pastor-de-estrelas-e-de-cores,
a ordenhar uma estrela.
Tinha a paleta vazia, enlutada de trevas-da-noite…
( no Inverno tudo é cinzento e as cores secam por chorar quimeras…)
Sonhei com uma noite de primavera , onde as cores se abraçavam em odores,
eu
pintava cada um deles, numa tela de flores…

chove-me a negritude da alma e eu ali,
pastor
a passear sibilos de andorinhas, numa noite escura sem cor...

segunda-feira, janeiro 21

deste lado onde

José Agostinho Bptista
Assirio & Alvim


Hoje vi os barcos

hoje vi os barcos.
eram brancos brancos abandonados
com o teu nome por dentro.

para onde vão estes barcos brancos brancos?

perguntei aos jovens marinheiros.
mas na sua divagação só existiam
fabulosas mulheres
portos portos ...........vento vento.

não vi lisboa.
disseram-se é um rio –

vai e queima o seu fado
vai e devasta as suas feiras
vai e rasga as suas tardes.

hoje sentei-me no tejo.
era um livro desordenado e sombrio com sangue
sangue no meio –

é o rosto da tua pátria
disseram os jovens marinheiros.
e era um rosto vermelho vermelho ..............doente
com vastas guitarras ao alto.

há sítios assim:
barcos brancos brancos abandonados comas tuas
mãos por dentro
cidades intermináveis com fabulosas mulheres
apodrecendo
portos portos.............vento vento.

hoje vi os lugares.
eram barcos barcos eram o tejo tejo
eram a minha pátria morrendo.

domingo, janeiro 20

escalada

subo a pulso-de-olhos
o fio, ténue da aranha que se estende ao fim-do-céu

pesa-me o olhar
e quebro o infinito
que se esvai do eu para o abismo


só o sol brilha, e reflecte-se na teia
( na vida?)
eu, caí da memória, como se voasse nas assas de uma gaivota-de-audouin,
longe de mim…




(A gaivota de Audouin é uma espécie confinada ao Mediterrâneo, que entrou nas palavras sem pedir licença, agarrou em mim e levou-me…)

sábado, janeiro 19

esculpir um segredo

Tenho um mistério para esculpir, fugido para além da esfera armilar ,
Esconde-se aquém de mim,
Ali,
entre a nuvem e o luar

( só o vazio não tem sombra…
Sussurra-me o vento , entre o voar da gaivota...)
É esse o teu mistério? A tua quimera? o teu segredo?

O mistério que me foge do desenho, é o ponto por onde esquiço o caminho, entre o vazio e a sombra.
Um ponto,
só,
sem regra de oiro, sem matemática, sem nada.

( sou escultor do ar…

sussurro-me eu, que já não sei o que sou, perdido no ponto,
sem saber se cheguei, ou se parti...
)

Não é a fantasia tão só isso, uma escultura de ar?
Não é o pensamento ou o sonho, não mais do que isso, um esquiço de ar?
Não é a vida, mais do que sucessivos respirares?
Tenho um mistério para moldar, que me estilhaça o olhar …

sexta-feira, janeiro 11

(in) definições

Sei,
com a convicção de um instante,
(Como é efémero um instante, no entanto é com a soma deles que se constrói o eterno…)
Que mania a tua de te interromperes, de saltares de uma coisa para a outra…
Sei, com a convicção de um instante,

(Do instante, porque a verdade passa-nos a correr como que a fugir e quando a queremos fixar já lá vai longe… é doida a verdade… só quando se cansa a apanhamos…)

Desculpa…eu continuo…
Sei, hoje que
( assim é melhor, é neutro, não tem interrogações existenciais…)
isto está difícil…
Dizia eu,
... o que me distingue dos outros animais, não são as palavras, nem a fala, tão pouco o pensamento
( mesmo que desordenado e irrequieto),
mas a forma como transformo o olhar em sentir…

terça-feira, janeiro 8

Apresentação da Noite

Al Berto

(…)
- um bar lembro-me de um bar e choraste
eu dizia-te que chorar é lembrarmo-nos de nós um instante
repara como o sal dos olhos esboça o singular destino pelas mãos abertas ao rosto
a cigana lera a mesmíssima coisa numa tarde em que passeámos de eléctrico
repara como as águas do rio se turvam de rímel
repara nos mapas desfocados da viagem imaginária
um bar?
terei eu dito que me lembrava de um bar?
(...)

in " apresentação da noite" edição Assirio & Alvim

Rio da Flores

Miguel Sousa Tavares

Foi com expectativa que entrei nas páginas do relato da família Ribera Flores. Apesar do autor referir ser um romance histórico, ao contrário de Equador, não o senti, ou não o li como tal. É um retrato social de um quotidiano já longínquo. O cenário é histórico, a estória não. O cenário parece surgir como um acessório, para dar credibilidade ás personagens e ao enredo.
Diogo, Pedro, Amparo movimentam-se como numa peça de teatro, em que os factos históricos vão passando como se fossem autónomos, induzindo aqui e ali interacções com as personagens. O autor tira conclusões “futuristas” ( através de Diogo ou na própria narrativa), só obvias porque o autor tem conhecimento desse futuro, avalia com dados do seu presente, factos que na época poderiam ter outras interpretações e/ou outros desfechos, porque na época todos os caminhos do futuro estavam abertos. Há no entanto referências ditas históricas do autor que destoam na narrativa ( como afirmação repetida da deficiência mental do monarca, mera opinião do autor). Enfim, uma história romanesca, longe da intensidade dos romances de Alves Redol, José Cardoso Pires ou outros, que felizmente abundam na nossa literatura. Esperava mais de Miguel Sousa Tavares.
Equador marcou mais, como romance histórico, pois o cenário era mais actuante na trama, onde a estória, deambulava pela história , enquanto em Rio da Flores, parece haver um divórcio entre ambos, independentemente de Pedro ser um peão na Guerra Civil Espanhola, e de Diogo ser um inconformista, mas incapaz de interferir na luta pela liberdade do seu próprio País, surgindo como personagem incoerente. Falta arrojo literário a este novo romance de Sousa Tavares, o que é pena, face ás capacidade que efectivamente o autor já demonstrou ter.

sábado, janeiro 5

no desenho de um labirinto

Tenho o coração forrado de vazios, a jorrar cores no infinito,
como um labirinto que se espraia na foz de um rio, a fingir-se horizonte…
O coração queima em combustão lenta,
o tempo e quimeras,
em pingos de areia que desenham dunas e desertos...

quinta-feira, janeiro 3

cigana?

Deixa fluir o cabelo pelo teu corpo,
a desnudar-te,
a alma…

( estás tão bela assim!

Desenhada em sorriso púrpura nas sombras da minha noite… )

quarta-feira, janeiro 2


no silêncio da sombra
janeiro 2008
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palavras-lágrima

Escondo a angustia nas lágrimas que seco, no abafo dos ruídos da vida,
e olho ( ME)
( retrato-vazio-na-ausência-de-um-rio-de-desaguações-infantis)
Só o som existe
sem estética,
( imoral)
sem vento…
( que pena!)
que me liberte do sal!