quarta-feira, agosto 30

Vates - A.G.B.

Vates – A:G:B
Ana Margarida Oliveira
Edições Verso da Kapa


Histórias romanceadas, onde se cruza o passado ( sec XVII) e o Presente ( sec. XXI). O enredo e as personagens interagem de uma forma sublime, onde uns, constroem o futuro e os outros desvendam o passado. Tem mistério (de uma caixa), intriga, paixões e um misterioso poeta Bandarra que desenhando solas e sapatos antevê o futuro, não nos feitiços, mas nas quimeras e nos sonhos de um País que se edifica na poesia, no mar e nos homens.
Paira o mistério eterno de Portugal, abraçado na névoa do seu rei menino, que desengonçado de físico e teimoso de alma se perdeu algures por terras de Alcácer Quibir.
Não sei se Ana Margarida Oliveira, pretende continuar a(s) história(s), porque na verdade, as duas ultimas frases do(s) romance(s), Parece induzir uma continuação. Não sei quem abraça Isabel, quem a esperava na ilha, mas fica a névoa d’el rei ali estar, à espera de se (re)fazer Portugal…

“…Esta caixa foi-me entregue em grande segredo na Índia, com a recomendação de que aqui estaria o futuro de Portugal e que eu saberia o que fazer com ela. E nada mais.
- Mas…o que quer isso dizer?
- Não sei filha! Tenho que pensar! Mas tenho sobretudo de a esconder. Com o nevoeiro e o desvario que havia na Santo Agostinho, Olívia e a caixa deram muito nas vistas. Houve muita gente a reparar nela devido aos gritos e à forma exaltada como ela a quis defender. A caixa terá que ser guardada com descrição. Tenho esta responsabilidade. Aparentemente o futuro do nosso país está com esta caixa!
- E, no trono, um rei que não é português…
- Pois é Isabel…E, nesta nau, muita gente que não sabemos de que lado está…
- O meu pai acha que D. Sebastião está vivo?
- Eu acho que Portugal está vivo! Acho que todos nós, os verdadeiros portugueses, somos um pouco el-rei D. Sebastião.”

terça-feira, agosto 29

O outro pé da sereia

O outro pé da sereia
Mia Couto
Caminho

Normalmente, ao sabor da leitura, num habito que me vem da genética e dos olhos, marco com lápis, de ponta redonda, as passagens que me tocam num livro. Com Mia Couto e Saramago ( como estou a ser injusto com tantos outros) é difícil tal tarefa. Cada frase é um poema, um exaltar de um prazer profundo, que enlouquece o lápis num frenesim desvairado.
Livros há que devoro de uma assentada, outros em que me arrasto em cada página, com o tédio de me ter enganado no livro, mas outros, sinto pena ( numa quase angustia) de virar a página, tal é o prazer que me provocam. Este é um deles. Estória de almas e de pessoas, que se intersectam no destempo. Não são fantasmas que deambulam, são gente que toma outras formas e outros existires, tão difíceis de entender e de assimilar pela nossa cultura industrializada de sentires. Estórias cruzadas no tempo, que nos levam à poesia de um povo que resiste e não morre, mesmo perdendo a alma e o sentido. Mia Couto é um contador de estórias, em forma de poema, difícil de igualar. Cada livro é um monumento à sensibilidade, e á forma como cinzela as tradições de um povo que se procura e se vive numa África que insiste em ser,,, Africa.
Personagens, impares que Mia espalha nas suas páginas e que nos ficam na alma a pairar como se de facto existisse um feitiço em cada palavra, em cada frase que nos invade os sentidos.
Abri ao acaso o livro para escolher dois pequenos excertos. Ao puro acaso, por que não há escolha possível.

“ Mwadia sentiu o conflito a mordiscar-lhe o peito: ela queria, mas temia. O regresso a Vila Longe era sonho e pesadelo. Desejo de reencontrar os seus, de regressar à velha casa de infância. Receio de que os “seus” já não lhe pertencessem, e que a velha casa estivesse morta.
Recordava-se das últimas palavras de sua mãe, na distante tarde da despedida:
- Vai de vez?
- Eu hei-de voltar.
Mwadia era a ultima filha a sair do lar. Todas as filhas tinham tomado a estrada e se desvaneceram na neblina. Nunca mais voltaram. A mãe remoía tristezas, respirando as palavras:
- Pois então, minha filha, você vai embora...
Demorava os adeuses, queria que a despedida se arrastasse a vida inteira.
- Você nasceu-me muito tarde, Muadita. Estou cansada, eu já não tenho forças para mais um rasgão dentro de mim.
...
A viagem não começa quando se percorrem distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores. A viagem acontece quando acordamos fora do corpo, longe do lugar onde podemos ter uma casa. “

segunda-feira, agosto 28

As loucuras de Brooklin

As loucuras de Brooklin
Paul Auster
Edições Asa

História de um quotidiano Banal de gente comum, história de cidade polvilhada de passos anónimos. É o relato de um Homem que caminha na vida entre o egoísmo e a solidariedade. Caminhos na morte, orientados na sobrevivência da alma e dos afectos. Escrito por Auster, até as cousas simples tem história.

“- Tens saudades da tua mãe, Lucy, não tens? – perguntei-lhe certa noite.
- Tenho umas saudades tão grandes que é uma coisa mesmo horrível – disse ela - Tantas saudades que faz doer o coração.
- Queres voltar a estar com ela, não queres?
- Mais que tudo. Todas as noites, peço a Deus para ela voltar para mim.
- E ela há-de voltar, Lucy. Tudo o que tens a fazer é dizer-me onde podemos encontrá-la.
- Eu não posso fazer isso, tio Nat. Estou sempre a dizer-te a mesma coisa, mas até parece que não ouves o que eu digo.
- Eu ouço, garanto-te que ouço. Só não queria que continuasses assim, sempre tão triste…
- É uma coisa de que eu não posso falar. Fiz uma promessa e, se quebrar a minha promessa, sou condenada a arder no Inferno. O Inferno é uma coisa que é para toda a eternidade e eu sou muito miúda. Não estou pronta para arder a eternidade inteira.”

sexta-feira, agosto 25

Tudo e mais alguma coisa

Tudo e mais alguma coisa
Jacinto Lucas Pires
Contos inéditos – Visão


Desconcertante!
É o primeiro livro que leio de Jacinto Lucas Pires. Fico na dúvida se sentirei impulso para pegar noutro livro do autor. Escrito como se filmasse, descreve a vida de um jovem talentoso jogador de futebol ( aqui e ali dei comigo a imaginar o nosso Ronaldo).
Não aprecio histórias em que um homem insiste em, até ser importuno, oferecer o amor a alguém que o não pretende receber, e que no fim de tanta insistência se quebram princípios e sentires. Prémio imerecido que soa mal, porque tudo que nos é imposto cria grilhetas na alma.
Fica este dialogo
“ "Olha, vou-te contar uma coisa”, diz o velho, sem tirar os olhos da televisão. “Um tipo nunca é nada na vida até sentir – sentir mesmo de verdade, não só palavras – que vai morrer, que não passa daquele momento. Ou então, ainda pior, que devia ter morrido, que era melhor para ele e para todos. Um tipo nunca sabe de nada até saber isso, percebes? Com isso, o resto – o que vocês chamam vida e mundo – não importa para nada, é só ruído.”"

primeiro as senhoras

Primeiro as Senhoras – Relato do último bom malandro
Mário Zambujal
Oficina do Livro


Não será certamente o último bom malandro. Mas é um bom malandro ao estilo de Zambujal. São as ( des) confissões de um marialva, a um inspector que ouve pacientemente as desventuras deste "alfacinha". Livro leve para um verão despreocupado ( como foi o meu…o meu ultimo despreocupado Verão…pressentimentos meus, claro, mas essas cousas não são para confessionários destes).

“Desabafe, Inspector, compreendo a tentação de me atirar à cara que andei uma semana a impingir-lhe um chorrilho de mentiras. Não exageremos. Exagerar é desporto português, inclusive de alguns jornalistas impetuosos. Ouvem que um gajo está de cama e noticiam que o gajo está de coma.”

terça-feira, agosto 22

A ponte dos suspiros

A ponte dos Suspiros
Fernando Campos
Difel


Romance histórico, bem ao jeito de Fernando Campos. Relata as angústias de D'El Rei Dom Sebastião e das amarguras passadas para provar a todos que não morreu em terras de Alcácer Quibir. O interesse está na evolução do jovem arrogante rei e do seu percurso como homem.
Não tem o fulgor de outros romances de Fernando Campos, mas consegue levar-nos para a intriga geopolítica da Europa, vincando a forma como desde então, nos remedíamos com a mediocridade e o complexo de termos perdido o poder, e nos deixamos encobrir em nevoeiros de identidade perdida.

“Gaivotas e pombas são as minhas visitas, às vezes um ou outro pardal pousa a medo no beiral do meu janelo de grades. Dou-lhes migalhas do meu pão. Habituam-se ao ritual e acabam por também eles serem o meu relógio dos dias intermináveis. A única vantagem do meu cárcere é não se situar nos caboucos do palácio, mas alcandorar-se cá em cima no balouçar dos nevoeiros, sobre a ponte dos suspiros.”

segunda-feira, agosto 21

Kafka á beira mar

Haruki Murakami
Kafka à beira-mar
Casa das Letras


O Japão é o país do Dô ( Caminho ), e um romance escrito por um Japonês não pode fugir à regra que se dissolve na alma. Relata o caminho, procura, de um Rapaz ( Nakata) que por acidente misterioso ( fim da segunda Guerra Mundial) perde parte da alma, perda tão profunda que até a sua sombra é de um cinzento diluído. Aqui, neste universo que nos envolve quem sonha é responsável pelo próprio sonho, tão responsável como os actos reais, (fisicos !). O sonho e a realidade misturam-se com a mesma responsabilidade. de se viverem (ambos) com a intensidade da Vida (ou morte).
Nakata que após o acidente em menino, (aberta a pedra da entrada no destempo) apreende a capacidade de falar com os gatos, chega a velho na constante busca da alma, que parece habitar em Kafka Tamura, rapaz de 15 anos que foge de casa, aparentemente para não matar o Pai ( que em dimensão outra encarna um assassino de gatos), Pai esse que acaba esfaqueado por Nakata, mas quem aparece ensopado de sangue é Kafka. História escrita com imaginação suficiente para nos prender no enredo até ao fim.
Kafka à beira mar, a história de um quadro que mistura o passado e o presente, num tempo que se descoordenou na suspensão da morte.
….
por outras palavras, cada pessoa continha em si os componentes das duas partes. Toda a gente vivia satisfeita com este estado de coisas e nem sequer pensavam muito nisso. Foi então que os deuses pegaram numa faca e cortaram cada um em dois. E assim, depois disso, o mundo ficou dividido em machos e fêmeas, e as pessoas passaram o resto da vida à procura da sua própria metade.”
….
“ Independentemente de quem ou daquilo que tens pela frente, o certo é que as pessoas estabelecem pontos de contacto entre elas próprias e as coisas à sua volta. O importante é que isso aconteça de uma maneira natural. Ser burro ou ser brilhante não vem ao caso. O que importa é que saibas ver o mundo pelos teus próprios olhos.”

…”
Sabes onde o conceito de labirinto apareceu pela primeira vez?
Respondo que não com a cabeça.
Foi na antiga Mesopotâmia. Extraíam as entranhas dos animais, e de seres humanos também, possivelmente, e baseavam-se na forma que tinham para prever o futuro. Apreciavam a forma complexa dos intestinos. Daí que se pode dizer que o protótipo dos labirintos reside, numa palavra, nos intestinos. O que significa que o princípio que presidiu à invenção do labirinto reside dentro de ti. E isso está de alguma forma relacionado com a noção de labirinto fora de ti.”

Curioso para mim, neste livro que me transportou no destempo ( noção vivida e revivida por mim quase em permanência) foi eu ter escrito, depois de uma caminhada de mais de 20 km no meio da serra onde o silêncio me impregnou a pele e os sentidos, isto “ o silêncio abraçou-me com tanta intensidade que por instantes ouvi a terra a girar, com a suavidade de uma brisa…” e uma semana depois na página 521 leio “
O silêncio tornou-se mais profundo, tão profundo que, se apurasse o ouvido, podia muito bem acontecer que desse para ouvir o som da Terra a rodar no seu eixo”

quarta-feira, agosto 9

Duas mulheres em Novembro

Vasco Graça Moura
Duas Mulheres em Novembro

Editado pela revista Visão


É o primeiro livro que leio de Vasco Graça Moura. Passa-se em Novembro de 1975, num pós revolução atribulado, mas apenas serve de moldura, as personagens parecem deslocadas para o dia de hoje, ou então a futilidade é intemporal. Duas mulheres num consultório médico, vazio, com hora marcada para abortarem. Conversam sobre as suas vidas, mas nenhuma mostra angústia ou qualquer tipo de sentir pelo acto que decidiram fazer. É com ligeireza que o autor coloca duas mulheres prestes a abortar e apenas vomitam futilidades. É pena espalhar palavras e talento de escrita e passar ao lado de tão sensível problema. Seria interessante assistir à abordagem do drama visto/vivido por duas mulheres com destino de vidas diferentes. Sentir o que se passa na culpa ou na não culpa que cada uma sente ou não sente, Perceber ou não perceber se há ou não há julgamento possível para uma decisão do foro intimo de cada um…Todo o texto/conto passa ao largo desta catástrofe do (des)sentir. Sendo o autor que é, com intervenção cívica e politica, sabe a pouco este romance de verão, escrito com futilidades, para a futilidade de umas férias calmas à beira-mar.
O médico nunca aparece. Foi preso. Não por fazer abortos clandestinos num país em revolução a confundir liberdades. Foi preso porque era rico!

…” Vai perguntar-me, em tom mordaz e com aquele risinho dela, se eu prefiro o piano lacado branco de um novo rico insuportável como Sidónio, só porque a sala dele dá para a piscina e ele serve champanhe às amigas que leva para lá, à meia noite ou ao meio dia, quando elas estão nuas dentro de água. Ela sabe muito bem que detesto o Sidónio. Caí na esparrela uma vez e chegou. Mostrei-lhe as minhas habilidades e quando ataquei a tocata de Carlos Seixas perguntou-me do alto do charuto se não sabia tocar Strangers in the Night…Que humilhação!”

domingo, agosto 6

A poeira que cai sobre a terra

Francisco José Viegas
A poeira que cai sobre a Terra
Contos inéditos Visão


Novamente o detective Jaime Ramos, personagem fetiche do autor, entra em acção, No caso, aparece-nos um detective molengão arrastado na meia idade, a caminhar para o desleixo da desilusão da vida. Aparentemente não há crime, há coincidências num verão quente, demasiado quente, que devora as matas, os pinheiros e os corpos.
Retiro três apontamentos:
“ A depressão não me comove, doutor, não é assunto meu,
O que é assunto seu?
A morte. Sou especialista em assuntos funerários. Entregam-me casos de vida ou de morte, já resolvidos para o lado da morte, evidentemente. Enquanto o senhor a ouvia a falar da vida, eu tenho a morte para resolver…
………….
As pessoas vão ao psicanalista porque precisam, murmurou Jaime Ramos.
Ele riu, do outro lado do tapete:
Vão ao psicanalista porque é mais caro, inspector.”
……………
(Extractos de um dialogo entre o Psicanalista de uma das vitima e o detective Jaime Ramos)

“As redacções dos jornais ainda estavam vazias. Se caísse uma bomba sobre a Torre dos Clérigos, não haveria ninguém para receber a boa notícia. E ele imaginava Siza Vieira feliz, vendo tudo arrasado, disponível para ser atapetado a granito negro.”

Ironia infeliz do autor, provavelmente não conhece a casa de chá em Matosinhos, nem a obsessão do arquitecto para as superfícies brancas e os seus jogos de sombras. Pessoalmente não gosto de muitas das obras de arte do Arquitecto, mas são sem duvida obras de arte . Nem todos os poemas de Pessoa são conseguidos, mas isso não invalida a genialidade do poeta. Siza não merece esta ironia, mesmo em livro de ficção.

quinta-feira, agosto 3

José e os Outros ( Almada e Pessoa, romance dos anos 20)

José Augusto França
José e os Outros ( Almada e Pessoa, romance dos anos 20)
Editorial presença


Este é dos tais livros que se não me fosse oferecido ( pelo Pai) teria comprado e posto de lado qualquer outro para mergulhar na História, Pelo autor, mas sobretudo pelas personagens, Zé ( Almada)e Fernando ( Pessoa). Acompanharam os dois, em demasia o meu imaginário, acompanharam em sombra o meu caminho de tal forma, que são incontornáveis na minha vida e no meu Eu, mais o Zé que o Fernando, mas ambos quase lado a lado (quis o destino que eu próprio me chamasse José Fernando,,,cousas do acaso!!). Mas na verdade arrastei-me nas páginas, porque não o senti sequer como romance, mas pareceu-me ( desculpem a sinceridade) uma vaidade do autor em se ser intimo dos dois Mestres. Nota-se a nítida preferência pelo Zé Almada, pois a história é sobretudo sobre este, e o Fernando aparece como uma espécie de fantasma que o espia e controla.
Vale pelas referências exaustivas que faz aos textos de Almada, mas para isso é sempre melhor ler o original. E foi isso que fiz, agarrei nos velhos livros do Mestre Almada, e passeei-me pela Invenção do Dia Claro, em verde alface gasto pelo sol, revi o K4, distrai-me com a Judite, que não se chamava Judite, mas que era Judite inteira.
Não gostei, que me desculpe o outro José, o Augusto, do que li.

“ José quis mostrá-la ao Fernando, e levou-o a ver as provas * na tipografia; estava certo que ele aprovaria. A nova frase era assim: “ Há sistemas para todas as coisas que nos ajudam a saber amar, só não há sistemas para saber amar” entre a humanidade e o amor, o Fernando não achava ter que escolher. “ Mas não achas?” “Não, meu querido José, não sou capaz de achar um sistema seja para o que for…” E acrescentou com um sorriso: “ Mas põe, põe...”

* ( Invenção do dia Claro que Pessoa propôs editar)

Imperdoável o livro não ter uma bibliografia, dada as inúmeras referências e transcrições das obras de Almada e algumas de Pessoa… sendo Romance, como é dito e escrito, era obrigatório existir no mínimo notas de autor, ou de editor...

terça-feira, agosto 1

Minto até ao dizer que minto

José Luis Peixoto
Minto Até ao dizer que minto
Editado pela revista Visão


Gosto do José Luis Peixoto, do que escreve, como escreve, apesar de espalhar sentires e palavras com pouca cor, quase a tocar a depressão nas personagens que lhe vivem nas histórias.
Este conto inédito, publicado pela Visão, foge a essa negritude, é outro José Luis Peixoto que escreve, solto, desprendido, Urbano, quase cosmopolita. Gostei.
Duas ou três notas do que não gostei; a introdução de publicidade entre texto, como vai já sendo hábito nas novelas, primeiro brasileiras, depois das produzidas por cá. Não fica bem transformar um espaço como um livro, como uma história e Pimba, Publicidade, No caso, agravado por ser auto-publicidade, já que o autor, põe a personagem a reler um livro do Autor “ Cemitério de Pianos” que será editado em breve.
Também não é credível colocar duas das personagens a enviar SMS com aquela extensão e conteúdo. SMS, é SMS...pequeno quanto baste!
É um conto de Verão, escrito nos dias quentes, com a lentidão dos dias quentes.
Gostei.
“Lembro-me de pararmos à frente da casa dos bicos, de os turistas não perceberem onde estava o monumento e de se levantarem para fotografar os edifícios ao lado, velhos, a cair – como tinham fotografado os primeiros prédios devolutos que viram antes de se cansarem e desistirem.”