sábado, junho 9

diário de um dia cinzento, ou a escrita de cousa nenhuma entre as fronteiras da sombra


Estilhaço o olhar, entre as pausas do tempo, 
nos murmúrios de te ver, 
desnuda, 
sem sombras de ausência, 
fecunda de cor, a brincar ( qual saltimbanca, cigana?) nas diabruras da memória.
Passeio, inerte ( ausente?) no quase azul do mar vagueante , 
vigiante e vagabundo, 
sem pressas, que o tempo respira-me na alma, ( quase mar, quase onda )
 
A areia morre (sem mim?), que a não passeio, 
que a não desenho de passos nus,
 Húmida, 
( quase pólen, quase nada!)

Escrevo, a visionar respirares que me deviam ser sangue, que atravessam o deserto sem mim. 

Vivo-me na eterna ausência do caminho, que construo sem areia, sem praia, sem mar, sem luz. 
Sou o vento que me leva, eleva na cor que invento, 
lua que brilha nos intervalos de uma criança, que me espreita, escondida com os medos da noite…

Porque não me sei ser eu? E me fragmento na (des)memória do tempo que não me cabe na pele?

Se morresse hoje, não sabia de mim... (!)

Corro entre desencontros ( nuvens?) orvalhados na luz do sol-lua, como se as gotas da memória desaguassem entre horizontes cansados de segurar o céu…

1 comentário:

© Piedade Araújo Sol disse...

eu queria pintar o teu cinzento de cores (outras)

eu queria saber-te comentar,mas,não consigo...

e leve, leve a brisa leva um

beij