sexta-feira, setembro 28

Serenidades, sem memória

Sei, ( com a convicção de me saber um ponto ínfimo escondido numa infinita folha de papel,
branca)
que andei por aí misturado na terra;
Que vagueei pelo longe, dissolvido no sal de uma onda de mar;
Que voei, preso nas penas de uma gaivota,
mas,
agora,
no hoje que me atropela o ir
estou aqui sentado, sem memória de mim,
a pensar….





( saber com convicção é pura imaginação)

segunda-feira, setembro 24

outras cores,,,no céu

Hoje, o céu não tinha estrelas mas búzios-encantados a olhar,
( daqueles que cantam cousas outras para além do mar)
Na noite,
fingiam sons de embalar,
(eram as ondas a chorar...)






já lhe imaginaram a cor?

domingo, setembro 23

quedas

caiu uma folha,
(morta?),,,colorida,
semente-lágrima
de vida.
reza em vão
marulhos de uma oração,
de um ciclo que não finda…
caiu uma folha,
mão-arado,
sangrada por chuva-dorida,
caiu uma folha
sozinha,,,no chão…

segunda-feira, setembro 17

o desenho da imaginação

Desenhar uma estrela
( nossa)
é cousa solene…
(Importante, diria! Caso alguém me ouvisse)
escolher o pedaço do céu para a colocar é tarefa dos Deuses, por isso desenho-a na imaginação
( aquele espaço ora nítido ora sombrio que nos habita entre os olhos e a fantasia )
e todos os dias tenho uma estrela nova, seja qual for o lado do céu que me olha

sexta-feira, setembro 7

O Hussardo

Arturo Pérez-Reverte
Edições Asa

Nos últimos tempos tenho feito um incursão na literatura espanhola e latino-americana em contra-ponto com a lusófona e confesso que tenho gostado das paragens. Arturo Pérez-Reverte foi uma surpresa. Aventurei-me com alguma desconfiança na leitura de Hussardo. Tinha várias barreiras a ultrapassar. Não gosto de guerras, as invasões francesas nunca foram temas preferidos, ( não aprecio instintos imperialistas) , em resumo não me deleito com a barbárie. Página a página fui ficando confuso, afinal era um autor espanhol que escrevia do outro lado da barricada. Foi essa confusão que me agarrou à narrativa e à capacidade de Peréz-Reverte colocar uma série de duvidas através do jovem Hussardo Frederic. É com uma enorme subtileza que o autor vai caracterizando a heroicidade de um povo que resiste à invasão, que no sangue e na coragem solidifica uma nação. A incredulidade do jovem Frederic , mercenário convicto, quando se vê reduzido à mais pura das essências da condição Humana, quando despido da arrogância de se sentir peão do mais temível exercito europeu, e que se entrega serenamente à morte, como que renunciando a tudo em que acreditou, é um monumental registo literário que nos faz reflectir sobre os enganos da verdade em que cada um assenta a sua fé!

quarta-feira, setembro 5

limites

No limite ( no nosso ? no do universo? ) há sempre uma porta que se abre…nem que seja para olhar…

In “ apontamentos para um manual da serenidade ( sem autor)” , ou como mesmo depois do ultimo passo, há sempre caminho…

segunda-feira, setembro 3

na sombra da minha árvore

Sentei-me a teu lado. A sentir-te. Ouvi-te a seiva a passear-se na sombra do vento. Abraçaste-me entre suspiros. Querias viajar, disseste-me. Ofereceste-me uma das tuas folhas e levei-a como se te transportasse inteira. Nunca te conheci criança, mas lembro-me das tardes de sol em que nos riamos os dois, como se o mundo só existisse para nós. Hoje senti-te cansada de angústias. Amanhã conto-te a viagem. Vou levar-te a ver o Mar, onde não há sombras. Vais gostar. Acredita. Lá os pássaros são brancos e o vento é salgado e nós ouvimos o sonho para de lá dos búzios…