domingo, fevereiro 17

desenho de um menino-a-chorar

Desenho um oásis de sangue,

Púrpura
Sem azuis-de-areia-que-arde-de febres-e-de-sedes…
Só o vento vive
bebo-lhe as lágrimas, repiro-lhe o mar,
e voo ,
raso na sombra,
à procura do que fugiu de mim a sangrar…

sexta-feira, fevereiro 15

A Morte de Ivan Ilitch

Lev Tolstoi
Publicações Dom quixote
Booket

O acaso tem-me conduzido à leitura de vários livros onde a morte se centraliza nas palavras. Acaso, reforçado porque tenho tropeçado nos últimos tempos sobre o “sentir da morte, a nossa ou simplesmente a que nos atormenta.
A abordagem que Tolstoi faz sobe Ela, é magistral, transformando-a, ou melhor, mascarando-a num Ser, ou numa semente que germina em nós, que se apodera de nós, que vive em nós, até que ela própria, morre.
A morte entra em Ivan, através de um acaso( como gosto das abordagens que partem de uma casualidade fortuita…). Uma simples queda, que chega a provocar exaltação ao protagonista, por se sentir ágil e jovem, permite que a semente da morte germine no seu corpo e o corroa lentamente, até que lhe toma os sentidos, o sentir ( escrevi há uns anos que a morte é deixar de sentir…). Por fim, morre, a própria morte.
Se Ilich morre ou não, é secundário, o importante é que ele se liberta dela. É este percursos narrado, com a angustia da solidão que transforma esta pequena novela , num genial texto literário sobre o ciclo de vida da Morte.

domingo, fevereiro 10

palavras, soltas

Prego as palavras, ao céu
uma a uma
desordenadas
( como as estrelas)
não cintilam,
derretem
aos pingos
letra-a-letra

( o céu é uma árvore de palavras por escrever,
os sonhos, os seu ramos,
as estrelas , os olhos!)
fecho-me no quarto. só.
cada palavra que me foge, é um janela,
em cada uma
(estrela?)
há um mundo inteiro que me atropela e que se diverte a esculpir-me…
Sou estátua de palavras…


( segredadas ás estrelas que tocam violinos , guardadas nos búzios
que marulham nos reflexos da lua…)

sombras

Abracei-me à sombra da árvore,
a ouvir o tempo...
como se chovessem dentro dos olhos, gotas de silêncios…

sábado, fevereiro 9

desenho?

Escrevo,
o teu seio
(sem desenho, traço ou cor…)

estilhaçado nos sentidos,
perdido na teia que tece o desejo,
( dor?)

é tudo o que me sobeja
do teu seio
que escrevo no silêncio de um beijo…

segunda-feira, fevereiro 4

Iludir a noite

Sento-me,
na solidão da tarde
a imaginar o sol..


Ambos,
Longe
A tarde e o sol…
Entre mim e o sol há uma noite...


( semente ?)

que canta
sem acordar,
entrelaçada no tempo e no vazio…

(Chovem voos de gaivotas de uma nuvem de cristais…)
Deixo-me gravar , pesado na areia
a imitar os dias que sonhei
a ouvir destinos-sem-ida ...

porque estou ali?

(Não sei! Tu, sabes? )
Estás a respirar o tempo,
embriagado no acreditar que vais,,, abraçado à vida!