terça-feira, julho 31

A Ronda da Noite

Agustina Bessa-Luis
Guimarães Editores

Foi o primeiro livro que li de Agustina. Não sei o que me levou a pegar na Ronda da Noite ( nem por só agora me atrever a espreitar o mundo de Agustina Bessa-Luis).
Admiro a pintura de Rembrandt, fixa-me o olhar, mas não a alma.Com Agustina passou-se o mesmo. Escorreguei ao de leve nas palavras, mas ficou um vazio estranho. Provavelmente as minhas expectativas relativamente à autora eram outras. Tinha de memória, (de criticas lidas há alguns anos) que a autora marcara a modernidade do romance português quando publicou em 1954 A Sibila.
Esperava modernidade neste seu último romance, (romance que contenha uma Judite, obriga-se a ser moderno!*) mas dei comigo a navegar num estranho espaço-tempo anacrónico. Não fossem algumas referencias ao quotidiano (Guerra do Iraque, telemóvel e outros ícones de fim de século XX, primórdio do XXI) e parecia estar envolvido no ambiente de fim de século XVIII , inicio do Século XIX!
Habituado que estou á modernidade ( literária e temática) de Urbano Tavares Rodrigues, soube-me a pouco esta ronda de Agustina.
Martinho, Maria Rosa e Judite são personagens demasiado desarticuladas do Mundo de hoje. Talvez sejam apenas personagens de um quadro, à semelhança de Saskia ( rosto de menina? rosto de idosa? ou Bannig Cocq (soldado? figurante?)da Ronda da Noite. Talvez sejam uma cópia de uma realidade distante que permanece na memória da autora ou, provavelmente foi esse o ambiente que Agustina quis retratar numa metáfora rebuscada de um quadro-cópia onde as personagens acreditam que tem vida própria e não passam de um desenho falsificado. Fica a duvida. Duvida que me vai obrigar a aprofundar a autora e a ter encontro marcado com Sibila.

* Referencia a personagem que deambula nas páginas de Nome de Guerra de Mestre Almada Negreiros
procurar caminhos ( entre terra e o céu)
Estágio de Verão 2007

segunda-feira, julho 30

je ne suis pas poète...poète est mon regard...
(pratica de Ten-Chi-Tessen no Dojo de Ten-Chi-Várzea de Sintra)
Julho 2007

terça-feira, julho 17

terça-feira, julho 10

As mulheres de meu Pai

Autor: Agualusa, José Eduardo
Edição: Dom Quixote


Agualusa é um contador de histórias. Os seus romances são essencialmente histórias alinhavadas por um ténue fio de pesca, como um colar de missangas, colorido de costumes e de sentires. As mulheres de meu Pai, é uma viagem, por África como quem procura a identidade, não de um Pai, ( que afinal não é), ou uma Pátria ( que afinal não é). É o Romance menos poético de Agualusa, onde se nota uma delicada tentativa de mudança de estilo.
O curioso em Agualusa, é que os seus romances parecem um conjunto de contos e os seus contos quase um romance. Lêem-se todos eles pausadamente, como quem pretende captar os cheiros, as cores e a emoção de uma lusofonia , como se fossem as raízes do Mundo, onde até um carro tem alma lusófona ( malambelambe).

Laurentina, Mariano, Pouca-Sorte e o seu Malambelambe são personagens que nos atravessam o sangue de uma diáspora que tem como fio condutor a musica, e o sentir...

quinta-feira, julho 5

fado irrequieto, calado

Desenho uma menina, irrequieta,
em pó de giz,e luz.

Branco e preto, sombras aladas numa noite de estelas.
Está sentada a um canto, canta, um fado calado.
Diz,
poesia em olhos de encanto e canta , um fado falado.

Irrequieta criança que joga quieta um sonho atribulado.
Desenho poesia,
num sépia queimado.
(Bailarina?
Gaivota?

Fada?)
Ah, este fado cantado em fantasia de menina que brinca, mesmo sentada num canto fechado...

quarta-feira, julho 4

securas

Escondo na cor a árvore,
escondo-a da sua sombra e pinto-a de sol, ao som dos murmúrios de uma águia pálida, que desenha abismos na noite e nas estrelas.
Escondo-me eu, em mim, como quem guarda o destino em memórias, (Cardume de histórias sem sentido) e voo no futuro em sorrisos infantis que guardam o tesouro do tempo.
Solto as palavras.
Evaporo-as.
Sou o sal de mim.
Seco.
Que chora!

segunda-feira, julho 2

(des)voares

prendi-me de asas, ás asas da água, e dilui-me na noite do vento ( como quem esvoaça, agrilhoado ao sonho que passa...)

domingo, julho 1

aqui

"Estou aqui!"
Apetece-me gritar , "AQUI!"
Cego de azuis,
mas
AQUI,
cinzento em vazios.
AQUI,
sem forma nem caminho,
apenas Vento
ou Grito,
de mim...